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20.09.23 10:30
Sociedade

"BRICS: no espelho dos tempos”. Por que o Brasil é chamado de "Rússia tropical"?

A 18ª edição do projeto conjunto da TV BRICS e da GAUGN é dedicada ao estágio atual das relações entre a Rússia e o Brasil

A Rússia e o Brasil têm mais em comum do que possa parecer à primeira vista. O Brasil é também o maior país de seu continente. Lá também adoram futebol e há muitas mulheres bonitas. Sua economia também é semelhante à nossa, com riqueza de recursos naturais. Talvez seja também por isso que as relações entre os dois países tenham vindo se fortalecendo nos últimos anos.

Por que o Brasil é chamado de "Rússia tropical"? Como os dois países conseguiram se tornar parceiros estratégicos? E como países tão distantes podem pensar em um futuro em comum? Saberemos todos os detalhes nesta nova edição do projeto "BRICS: no espelho dos tempos". O convidado em nosso estúdio é Boris Martynov, um dos principais especialistas russos na história da política externa e da diplomacia brasileira, chefe do Departamento de Relações Internacionais e Política Externa da Rússia no Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou.

O projeto conjunto da TV BRICS e da GAUGN é apoiado pelo Ministério da Educação e Ciência da Rússia, no âmbito do projeto federal "Popularização da Ciência e Tecnologia".

O Brasil é frequentemente chamado de "Rússia tropical". Por quê? De onde vem isso? Esse apelido se justifica?

Esse termo foi introduzido pela primeira vez pelo ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, durante visita à Rússia.

Rússia Tropical. De fato, além de tudo o que você disse, há uma espécie de semelhança psicológica entre russos e brasileiros, por mais paradoxal que possa parecer devido às enormes distâncias geográficas. Somos muito parecidos - muito amigáveis, muito hospitaleiros, temos até piadas semelhantes.

E essa semelhança cria uma base psicológica natural, uma matriz, se preferir, para um desenvolvimento progressivo de nossas relações.

O volume de negócios entre a Rússia e o Brasil vem crescendo a cada ano. Qual é o motor que impulsiona esse crescimento?

O motor é o interesse mútuo, o benefício mútuo. Somos realmente complementares em algumas coisas e, em outras, somos concorrentes. Mas é justamente por sermos concorrentes que precisamos conversar. E essa é também uma nova base adicional para as relações mútuas.

A Rússia e o Brasil estão entre os dez maiores produtores agrícolas do mundo, e isso também é muito importante. O Brasil é considerado uma superpotência agrícola.

Além disso, estamos muito interessados, é claro, no desenvolvimento de setores avançados - informática, biotecnologia, produtos farmacêuticos de ponta, indústria aeroespacial.

Como você avalia a cooperação humanitária entre nossos países?

Há conquistas, mas também há problemas. O principal deles é a falta de conhecimento mútuo. Veja bem, pode-se ser emocionalmente positivo - não estou falando de especialistas ou profissionais da área, mas de pessoas comuns: todos dirão que o Brasil é um país maravilhoso. Mas e o que mais? Ou seja, precisamos estar mais informados, necessitamos aprender o português.

O Brasil é a primeira letra do BRICS, e o Brasil fala português. Precisamos traduzir nossos livros não apenas para o inglês, mas também para outros idiomas – ao português e espanhol, é claro, mas também ao árabe e chinês, obviamente.

No ano passado, o Brasil mudou de presidente. O que mudou nas relações entre a Rússia e o Brasil desde então?

Sabe, essa é uma metamorfose muito interessante, porque quando Bolsonaro chegou ao poder, muitas pessoas em nosso país pensaram que já era, que as relações com o Brasil estavam acabadas. Mas não foi assim. E essa metamorfose nos diz muito. E terminou com o quê? Com a visita de Bolsonaro à Rússia. Os brasileiros realizaram uma excelente cúpula do BRICS.

Por quê?

Essa metamorfose foi muito parecida com a transformação do regime militar brasileiro, que chegou ao poder em abril de 1964 com slogans anticomunistas, e acabou assumindo posições construtivamente nacionalistas, no início da década de 1980.

Eram os mesmos militares brasileiros, os mesmos anticomunistas, mas eles passaram a cooperar com a União Soviética. Foi um retorno às raízes, à tradição fundamental, principal e dominante da diplomacia brasileira, que se baseia nos princípios de independência, igualdade e soberania.

Eles perceberam que somente esse caminho garantiria o progresso do Brasil, independentemente de quem estivesse no poder. Sejam os social-democratas na pessoa de Fernando Henrique Cardoso, os esquerdistas na pessoa de Lula da Silva ou os direitistas na pessoa de Bolsonaro. Todos eles, de uma forma ou de outra, aderem ao paradigma do "Brasil como grande potência". Esse é o objetivo do Brasil, por assim dizer. Ser uma potência em ascensão. Essa ideologia de ascensão permeia todos os poros da sociedade brasileira, desde a base até o topo.

É uma questão de como atingir isso. E essa questão está sendo tratada agora por Lula da Silva, em favor da cooperação com a América Latina, a China e a Rússia. E a China, a propósito, tem sido o principal parceiro comercial externo do Brasil desde 2010, independentemente do partido no comando.

Qual é a atitude de Lula da Silva em relação à Rússia?

Muito positiva. Ele é uma pessoa muito interessante, muito profunda. Ele começou como engraxate, depois trabalhou como metalúrgico e, em seguida, entrou para o movimento sindical. É um homem que se formou diretamente sob a influência da própria vida, um homem que sabe ouvir e prestar atenção, que é naturalmente inteligente.

Portanto, ele sabe perfeitamente com quem o Brasil pode contar no cenário internacional. E, é claro, para Lula da Silva só há um caminho - o caminho da cooperação. Primeiramente com os vizinhos, aquele caminho tradicional de criar estruturas latino-americanas de cooperação econômica e político-militar. Em segundo lugar, é o BRICS, o G20, a Rússia, a China, a Índia, a África do Sul, o Irã. E aqui nós somos um aliado natural para o Brasil.

Acredito que, no futuro, o Brasil se tornará um dos novos polos de um mundo multipolar, pois o país tem todas as condições objetivas para isso. As condições são excelentes: território, população, dinâmica - serão 250 milhões de habitantes até 2030, só podemos invejar sua dinâmica de crescimento. Já possui, por assim dizer, conquistas em setores avançados da indústria, como construção de aeronaves, construção de automóveis, energia nuclear. O Brasil tem tecnologias exclusivas de prospecção e exploração de petróleo em águas profundas. Isso já é muito no mundo de hoje. Além disso, possui um potencial extraordinário em recursos naturais.

Como o senhor avalia as relações russo-brasileiras no futuro próximo?

Na virada dos anos 2000, começamos a prestar cada vez mais atenção a diferentes conceitos de política externa. Usamos vários, e em todos eles o Brasil era mencionado.

Gostaria de lembrar que, em 1997, durante a visita de Yevgeny Primakov, foi assinado um documento incrível, de nome muito interessante: "Declaração sobre as Relações com o Brasil, visando o Século XXI". De onde veio isso? E por quê? Yevgeny Primakov era um gênio, e ele, de verdade, percebeu o potencial.

E se antes eram fertilizantes em troca de alimentos, agora é todo um complexo. Agora nossas grandes corporações já estão envolvidas: Gazprom, maquinaria pesada, energia hidrelétrica, prospecção de campos de petróleo, entre outros. Há também a construção de máquinas, a construção de instalações de infraestrutura, a cooperação em energia nuclear, o fornecimento de urânio enriquecido....

Novamente, a semelhança entre nossas realidades são os recursos naturais. Provavelmente exista ainda um reservatório inexplorado de 20% - o reservatório de toda a Amazônia. É um continente dentro de um continente! Sequer sabemos o que existe lá.

Há também realidades ambientais e realidades étnicas. Portanto, é uma questão complexa que não pode ser resolvida isoladamente, deve ser resolvida em conjunto. Luta conjunta contra o crime. Essa costumava ser uma noção puramente de política interna, mas que agora foi trazida para a política externa, o que indica que o crime se tornou transnacional. E é por isso que a cooperação internacional é necessária.

A Rússia e o Brasil são atualmente parceiros estratégicos. O que isso significa e até que ponto nossas relações justificam isso?

Esse termo apareceu pela primeira vez em nossas relações em 2002: o “Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Parceria”. Parceria estratégica é um termo bastante vago, é difícil encontrar uma definição precisa em algum lugar, pois diferentes autores têm diferentes definições. Mas estratégico significa que se relaciona às principais áreas da economia e da política atuais. Já as listamos: economia, finanças, investimentos, comércio, programas sociais, saúde, esportes, cultura e, é claro, política.

Aqui, a princípio, temos algumas diferenças em alguns aspectos. Mas países soberanos, que possuem seus próprios interesses, não podem deixar de tê-las. Mas em geral, nos conceitos básicos, estamos de acordo. Definimos a direção geral para nós mesmos e não discordamos dessas direções gerais: a construção de um mundo multipolar e multicivilizacional, e a afirmação dos princípios do direito internacional. E a reforma da ONU, é claro. Concordamos e apoiamos as aspirações do Brasil de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança, assim como da Índia e da África do Sul. Estamos unidos nessa questão. E isso talvez seja o mais importante.

Fotografia: IStock
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