Dia Mundial do Transporte Sustentável: como esse percurso começou e qual é o próximo destino?
O setor de transportes desempenha um papel fundamental no crescimento econômico, tanto de um país quanto globalmente, sendo responsável pelo transporte de mercadorias e passageiros, além de garantir a produção e o consumo. As tecnologias modernas contribuem para aumentar a segurança, acessibilidade e eficiência dos sistemas de transporte. O objetivo é minimizar, na medida do possível, as emissões de carbono e reduzir o impacto ambiental. Assim, o transporte sustentável deixou de ser um luxo e se tornou uma necessidade, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
"O setor de transportes é responsável por cerca de um quarto de todas as emissões de gases de efeito estufa. 91% da energia consumida no transporte terrestre, marítimo e aéreo vem de fontes fósseis. Por isso, esse setor está entre os mais difíceis de descarbonizar. No entanto, acredito que a humanidade pode superar a dependência dos combustíveis fósseis prejudiciais ao clima e criar sistemas de transporte sustentáveis, eficientes e de baixo carbono, baseados em novas fontes de energia renováveis"![]()
António Guterres Secretário-geral da ONU
O caminho é longo e desafiador, já que, de acordo com dados das Nações Unidas, mais da metade da população mundial vive atualmente em áreas urbanas, que, juntamente com as megacidades, representam mais de 60% do PIB global, mas também são responsáveis por mais de 70% das emissões globais de carbono. Esse tema é abordado pelo ODS 11 da ONU – "Cidades e Comunidades Sustentáveis". Para alcançá-lo, diferentes países estão se unindo em cooperação internacional.
Em 2025, durante a presidência brasileira no BRICS, especialistas dos países-membros discutiram, nas reuniões do grupo de trabalho, o desenvolvimento da infraestrutura de transporte sustentável e da mobilidade urbana. O Brasil tem promovido o uso de combustíveis sustentáveis para a aviação (Sustainable Aviation Fuels, SAF) e já lançou uma planta para a produção de óleo sintético, necessário para a criação do SAF. A base desse combustível é matéria-prima de fontes biológicas renováveis, como óleos de cozinha e resíduos agrícolas. Comparado aos combustíveis fósseis, de acordo com os cálculos dos especialistas, o SAF reduz as emissões de carbono em 80%.
No transporte público urbano, o grupo também tem dado ênfase à questão ecológica. A declaração ministerial destaca a atualização e descarbonização das frotas de ônibus, a expansão das redes de metrôs e as linhas de bondes rápidos. Especial atenção foi dada ao financiamento internacional, com o apoio do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o Banco dos BRICS, na implementação de tais projetos.
Após a XVII cúpula do BRICS, os países confirmaram suas visões compartilhadas sobre a questão do transporte sustentável.
"Reafirmamos nosso compromisso com o desenvolvimento de uma infraestrutura de transporte sustentável e resiliente, reconhecendo seu papel crítico no crescimento econômico, na conectividade e na sustentabilidade ambiental. Enfatizamos a importância do desenvolvimento contínuo dos sistemas de transporte público urbano e da promoção da mobilidade ativa para criar um ambiente urbano mais equitativo, habitável, saudável, propício e menos congestionado. Também reconhecemos a necessidade de incentivar o uso de veículos de emissão zero e de baixa emissão na mobilidade urbana", afirma a declaração final, assinada no Rio de Janeiro, em 6 de julho de 2025.
De acordo com especialistas, não apenas as autoridades em níveis global, estadual, regional e municipal, mas também os cidadãos podem contribuir para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Exemplos incluem usar transporte público em vez de carro; optar por veículos mais ecológicos, como elétricos, em vez dos tradicionais com motor a gasolina; trocar o carro por motocicletas, motos ou bicicletas no período de calor; e caminhar distâncias curtas ao invés de chamar um táxi.
O transporte de duas rodas nas grandes cidades, quando o clima permite, oferece uma oportunidade de evitar congestionamentos, o que reduz significativamente as emissões e o tempo de viagem. Em várias cidades, estão surgindo cada vez mais estações de carregamento universais, que abastecem também scooters elétricas, motos e motocicletas.
Inovações, materiais modernos e até tendências de moda: o desenvolvimento do setor de motocicletas tem sido difícil de acompanhar. De acordo com analistas, as vendas globais de motos atingiram um novo recorde absoluto de 61,8 milhões de unidades em 2024. A demanda cresce a cada ano, com Japão, Alemanha, Índia, China e EUA figurando entre os principais produtores desse meio de transporte.
Ao olhar para o futuro e explorar novos horizontes, os amantes das motocicletas não se esquecem de suas origens. Em várias partes do mundo, entusiastas estão criando coleções únicas de veículos de duas rodas. Uma dessas coleções está na cidade russa de Tcheliabinsk.
O museu incomum conta com 115 exposições, todas em pleno funcionamento. Muitas delas são exemplares únicos. Por exemplo, a motocicleta "Maliutka" ("Pequenino"), que foi criada em 1961 por Vladimir Charabin, um autodidata de Tcheboksari, utilizando materiais improvisados. O projeto foi tão bem-sucedido que ganhou fama nacional. Segundo algumas fontes, a "pontezinha de ferro", apresentada na Exposição de Realizações da Economia Nacional (VDNHh) de Moscou, foi pilotada pelo secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Nikita Khrushchev. Dizem que ele ficou muito satisfeito.
Outro modelo que também chamou a atenção foi o "Malich" ("Bebê"). Em 1963, engenheiros de Leningrado apresentaram ao mundo um dispositivo dobrável interessante. Com peso de 22,3 kg, ele atingia uma velocidade de até 35 km/h. Era muito conveniente transportar o "scooter de bolso" desmontado, no ombro, em um estojo compacto. O "Malich" foi projetado especialmente para geólogos, permitindo deslocamentos por terrenos difíceis.
As maiores coleções privadas de motos da Rússia, incluindo modelos da época da URSS e motocicletas em miniatura, convivem com exposições de diferentes épocas e de várias partes do mundo. O "Raja", por exemplo, foi uma versão moderna de um protótipo japonês, desenvolvido na Índia no final dos anos 1970. O design foi alterado para acomodar um passageiro adicional. Milhões desse modelo foram produzidos, e um exemplar acabou em Tcheliabinsk.
O criador do museu, Nikolai Avdeev, iniciou sua coleção ainda na infância. O passatempo se transformou em sua vocação. Juntamente com seus companheiros, ele restaura motocicletas raras, scooters, motonetas e bicicletas motorizadas quase peça por peça, utilizando fotografias, desenhos, manuais e documentos históricos. O trabalho envolve a remoção da pintura antiga, a eliminação de ferrugem, a busca ou fabricação de peças faltantes e, em alguns casos, até a impressão dessas peças em 3D.
Um dos projetos mais desafiadores para os entusiastas de Tcheliabinsk foi a restauração de uma moto de carga para os correios. Apenas quatro unidades experimentais foram produzidas, e uma foi preservada: agora parece nova. A moto de duas velocidades, com marcha à ré, foi projetado para transportar até 60 kg de correspondência, mas nunca entrou em produção em massa.
As motocicletas esportivas também ocupam um lugar de destaque, tanto na exposição quanto na história desses veículos. Um exemplo são as motos usadas para jogar futebol. Cada equipe é formada por cinco jogadores, quatro dos quais montando motocicletas manobráveis. Há também um goleiro a pé e uma bola grande, que é mantida com os pés por suportes ao lado da roda dianteira.
Hoje, esse jogo é praticado com equipamentos diferentes, e muitos "cavalos de ferro" mudaram bastante. Porém, algumas ideias do passado podem ser úteis para os desenvolvedores modernos, assim como para os jovens inventores que estão começando a explorar o mundo da ciência e da tecnologia.
Enquanto isso, os entusiastas de Tcheliabinsk continuam a buscar novos horizontes, com planos de expandir ainda mais sua coleção única. E quem sabe, o desenvolvimento de um transporte ecológico de duas rodas autoral esteja mais próximo do que se imagina.
Fotografia: Wachirapong Sukkasemsakorn, Fahroni, EyeEm Mobile GmbH / iStock / TV BRICS
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