Especialista: a literatura do BRICS fortalece o diálogo intercultural entre os países-membros
Escritores dos países do BRICS ultrapassam as fronteiras nacionais e suas obras se tornam um diálogo de culturas. Por meio da literatura, eles não apenas contam as histórias de seus povos, mas também encontram um ponto de conexão com o público internacional.
Mariam Alhashmi, membro do júri do Prêmio Literário do BRICS e representante dos Emirados Árabes Unidos, compartilhou sua visão sobre o papel do escritor como voz de sua sociedade e ponte para outras culturas. A entrevista exclusiva foi concedida à publicação Za Rubejom, parceira da TV BRICS, após o anúncio da lista de candidatos ao prêmio, que incluiu 27 autores dos países do BRICS.
– Qual é a missão do Prêmio Literário BRICS no fortalecimento do diálogo intercultural entre os países participantes da associação? Que oportunidades únicas ele oferece para os escritores?
– [...] a literatura sempre foi uma das formas mais poderosas e duradouras de expressão humana, e por meio dela as sociedades contam sua história, expressam identidade e apresentam seu futuro. Em plataformas internacionais como o Prêmio Literário BRICS, a literatura se torna não apenas arte, mas também uma ferramenta diplomática, que fortalece o diálogo intercultural e fomenta a compreensão mútua entre os países participantes.
Em sua essência, a literatura serve como um espelho da sociedade, refletindo a complexidade da experiência humana e dando voz a características culturais que, de outra forma, poderiam permanecer inacessíveis para pessoas de fora. Quando a literatura ultrapassa as barreiras linguísticas, ela oferece aos leitores a oportunidade única de se familiarizarem com a visão de mundo do "outro". Esse tipo de encontro é crucial para o desenvolvimento da empatia, para a desconstrução de estereótipos e para a superação das diferenças culturais.
– A literatura é frequentemente chamada de linguagem universal da humanidade. Como o prêmio BRICS ajuda essa linguagem a ressoar de maneira nova, indo além do cânone literário ocidental?
– A literatura é frequentemente chamada de linguagem universal da humanidade, uma forma de arte que causa identificação com as pessoas independentemente de sua geografia, cultura ou língua. Por meio da literatura, as experiências, emoções e aspirações humanas tornam-se propriedade de todos, indo além das fronteiras e ajudando a compreender nossa natureza humana comum. Nesse sentido, a literatura não pertence a uma região específica, ela pertence igualmente ao Oriente, ao Ocidente, ao Norte e ao Sul.
– Em 17 de setembro, no Brasil, foi anunciada a lista com 27 candidatos. Como o júri avaliou as obras, considerando a diversidade cultural e literária dos países do BRICS? Quais critérios são essenciais na seleção das obras?
– [...] um dos critérios-chave foi a relevância de cada obra literária em seu próprio país e sua contribuição para a formação da consciência pública. Além disso, o júri analisou a biografia criativa dos autores, prestando atenção à profundidade de suas realizações literárias, à maturidade da visão artística e ao conhecimento refletido em suas obras. Esses fatores ajudaram a determinar se cada escritor merecia estar na lista de candidatos. Mantendo o equilíbrio entre o valor estético e a importância cultural, o júri conseguiu garantir que o processo de seleção refletisse tanto o domínio literário quanto a riqueza das diversas tradições representadas pelos países participantes.
– Como você vê o papel do escritor de um país do BRICS no mundo globalizado de hoje? Ele é mais a "voz de sua sociedade" ou "uma ponte" para outras culturas?
– O escritor, em qualquer lugar do mundo, inevitavelmente desempenha vários papéis ao mesmo tempo. Às vezes, ele fala em um nível profundamente pessoal, expressando suas próprias experiências, emoções e reflexões. Em outras, ele se torna um representante de sua sociedade, refletindo seus problemas, aspirações e conflitos internos. Mas não menos importante é o papel do escritor como ponte cultural, permitindo que pessoas de diferentes partes do mundo se aproximem de sua realidade, suas esperanças e seus pontos de vista sobre o futuro. Por meio de contos, poesia e reflexão crítica, os escritores aumentam a visibilidade de suas sociedades no mundo externo e, ao mesmo tempo, participam de um diálogo global que ultrapassa as fronteiras nacionais. Esse papel duplo é particularmente significativo para os autores dos países do BRICS, cuja diversidade cultural e histórica enriquece a literatura mundial. Eles preservam a autenticidade de sua própria voz e constroem pontes de compreensão, conectando suas comunidades a toda a humanidade.
Fotografia: Viktor Hladchenko / iStock
DIGITAL WORLD
Centro de Mídia do BRICS+
RUSSO CONTEMPORÂNEO