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Expedição marítima Brasil-Rússia encerra viagem histórica em apoio ao BRICS

A tripulação cruzou pelo Atlântico, passando pela Rota Marítima do Norte e a Terra de Sannikov

A expedição internacional de vela "Fraternidade 2025/2026" retornou ao Brasil e está se preparando para concluir sua jornada no porto da cidade de Salvador, de onde iniciou sua viagem de circunavegação há quase um ano. Em 28 de fevereiro, os dois capitães, o russo Serguei Shcherbakov e o brasileiro Aleixo Belov, finalizarão junto de sua equipe a longa travessia, que foi dedicada ao aniversário de 20 anos do BRICS. Sobre os resultados dessa jornada única a bordo de um veleiro, o capitão Shcherbakov compartilhou suas impressões com a TV BRICS.

rossiysko-brazilskaya-krugosvetnaya-ekspeditsiya-v-podderzhku-briks-priblizilas-k-zaversheniyu (1).jpgFoto: arquivo pessoal de Serguei Shcherbakov

A tripulação do veleiro Fraternidade, percorreu cerca de 24 mil milhas náuticas (45 mil quilômetros) passando pelo ponto mais ao norte da Eurásia e o ponto mais ao sul da América do Sul. Sem o auxílio de quebra-gelos, a embarcação desbravou a Rota Marítima do Norte. Shcherbakov, mestre de esportes da Rússia, completou a viagem pela terceira vez, enquanto Belov, proprietário do veleiro Fraternidade, fez isso pela primeira vez.

"Para Aleixo, o principal objetivo foi passar pelo Norte Russo. Ele já participou de cinco expedições de circunavegação, três das quais sozinho. [...] No dia 7 de agosto, chegamos ao Cabo Chelyuskin, e fomos os primeiros a chegar com veleiros; foi a travessia mais precoce do ponto mais ao norte do continente", comentou Shcherbakov.

Ao planejar o percurso da expedição, ele calculou cuidadosamente as condições climáticas, analisando os dados de gelo dos últimos 12 anos. Além disso, a meteorologia favoreceu os viajantes. No Cabo Chelyuskin, eles ancoraram brevemente e desembarcaram na costa, onde foram recebidos pela Guarda de Fronteira. No livro de visitas para convidados de honra, surgiram duas novas entradas em português e russo, escritas pelos dois capitães.

rossiysko-brazilskaya-krugosvetnaya-ekspeditsiya-v-podderzhku-briks-priblizilas-k-zaversheniyu (3).jpgFoto: arquivo pessoal de Serguei Shcherbakov

Logo em seguida, o destino foi a Ilha Bennett, que foi observada com o auxílio de drones.

"O urso polar é o predador mais temido. O homem está na cadeia alimentar dele. Eu mesmo encontrei um urso de 3-4 metros de altura, que podia saltar 15 metros, é como uma tonelada voando a 15 metros. Por isso, não desembarcamos em nenhum lugar, só observamos com drones. E em Bennett, todos os drones sobrevoaram. [...] Era como um conto de fadas, a terra mítica de Sannikov. Pessoas vão lá uma vez a cada 30 anos", compartilhou Shcherbakov.

Os momentos mais marcantes da jornada serão compilados em um filme, cujos materiais foram coletados por Belov. Já Shcherbakov preparou um relatório para a Sociedade Geográfica Russa sobre a Rota Marítima do Norte e as condições do Ártico.

"Eu também tinha outra tarefa: preparar recomendações para o desenvolvimento do turismo na Rota Marítima do Norte embarcações independentes, avaliar o potencial turístico, infraestrutura, e assim por diante. Enviamos as recomendações metodológicas para a Sociedade Geográfica Russa", explicou o capitão.

Todos os participantes da expedição destacaram o caloroso acolhimento nas cidades russas do Norte, onde fizeram paradas. Após completar a travessia da Rota Marítima do Norte, o capitão brasileiro escreveu uma carta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, agradecendo pelo excelente sistema de passagem para embarcações e pela recepção calorosa. Por exemplo, em Tiksi, o porto russo mais ao norte, havia uma programação de três páginas para os visitantes.

"Nos levaram para todos os lugares: museus, pontos turísticos, organizaram um concerto na Casa da Cultura, nos serviram pratos diferentes. Até jogamos uma partida de futebol; a seleção de Iacútia e a seleção do Brasil, formadas pelos membros da equipe. Eu joguei pelos brasileiros, mas fiquei no gol. Quem ganhou foi a amizade", contou Shcherbakov.

Seguindo o exemplo do capitão brasileiro, Shcherbakov pretende expressar sua gratidão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela calorosa hospitalidade do Brasil, onde, em 12 de abril de 2025, o veleiro Fraternidade recebeu uma despedida emocionante para a grande jornada e, agora, é igualmente acolhido com entusiasmo.

Além do 20º aniversário da fundação do BRICS, os capitães dedicaram a expedição ao bicentenário das relações diplomáticas entre a Rússia e o Brasil, que será comemorado em 2028.