GITIS celebra 200 anos de "Boris Godunov", clássico de Pushkin
O Instituto Russo de Artes Teatrais (GITIS) encerrou uma conferência científica de três dias dedicada ao bicentenário da tragédia popular "Boris Godunov", de Aleksandr Pushkin. Sob o título "Entre história e ficção, documento e profecia", o evento se consolidou como um marco para a comunidade acadêmica e teatral, com atividades divididas entre o próprio GITIS e o Salão Rumiantsev da Biblioteca Estatal da Rússia.
No primeiro dia, os participantes apresentaram abordagens alternativas para analisar a obra e o seu contexto cultural. Um dos momentos mais comentados foi a intervenção do ator Evgueni Tsiganov, que relembrou o método de "leitura lenta" ensinado pelo diretor Piotr Fomenko. Ele também revelou um segredo profissional: ao trabalhar com texto poético, é fundamental primeiro sentir o ritmo, depois preencher as circunstâncias do papel e, somente então, construir as relações com o parceiro de cena.
O artista da Rússia e ator do Teatro Mali, Mikhail Filippov, refletiu sobre a escolha de Pushkin pelo enredo histórico e explicou por que a tragédia continua atual até hoje.
A programação também trouxe a perspectiva dos estudiosos das artes cênicas. O doutor em Estudos Artísticos Aleksandr Tchepurov e a pesquisadora Olga Galakhova analisaram como os complexos conflitos internos dos personagens foram traduzidos para o palco em trabalhos de Vsevolod Meierkhold, Piotr Fomenko, Iuri Liubimov e Deklan Donnellan. Já Janna Panova apresentou ao público uma faceta pouco conhecida do enredo: a peça inacabada de Schiller sobre Dmitri, que mais tarde serviu de base para o libreto da ópera de Antonín Dvorák.
O segundo dia ocorreu na sala de leitura da biblioteca do GITIS e foi dedicado às encenações da tragédia no teatro dramático e na ópera. O doutor em História Piotr Gordeev falou sobre a performance de Fiodor Tchaliapin na ópera de Modest Mussorgski em 1918. O candidato em Filosofia Timofei Kovalenko abordou as produções de "Boris Godunov" apresentadas em teatros regionais em 1937.
O último dia da conferência começou com uma análise de filologia aprofundada.
A perspectiva histórica foi enriquecida pela apresentação da historiadora Marina Rakitina, do setor de palestras dos Museus do Kremlin de Moscou, que exibiu fotografias de peças do acervo pertencentes ao czarevich Dmitri, príncipe herdeiro do reinado russo.
Encerrando o evento, a pesquisadora e docente do Departamento de História do Teatro Russo, Olga Galakhova, ressaltou que os organizadores convidaram especialistas de diferentes áreas, como estudiosos da arte, literatos, historiadores, politólogos, economistas e especialistas em administração pública; isso com o objetivo de ampliar o escopo tradicional das conferências.
"Qual é a utilidade prática? A ciência, como disse Boris Godunov pelas palavras de Pushkin, 'encurta a experiência da vida que passa rápido'. Ao estudar 'Boris Godunov' abrangendo as facetas histórica, política e estética, entendemos melhor tanto o passado quanto o presente", afirmou.
A conferência reuniu pesquisadores de Moscou, São Petersburgo, Krasnodar e Saratov, além de especialistas de dez instituições acadêmicas.
Fotografia: HyperlapsePro / iStock
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