Moda, cotidiano e arte do Egito Antigo são recriados na Rússia
Recriadores históricos confeccionam roupas, dançam e tocam instrumentos musicais tradicionais
O número de clubes históricos que estudam a cultura dos países do BRICS está crescendo. Um exemplo é o grupo "Ragor", cujos membros recriam o cotidiano do Egito Antigo. A reconstrução dessa época reuniu mais de 150 pessoas de diferentes cidades da Rússia, como Moscou, São Petersburgo, Krasnodar, Omsk e Novosibirsk.
Se os objetos do dia a dia podem ser recriados com base em achados arqueológicos, a música apresenta um desafio maior.
De acordo com a coreógrafa da associação, Olga Fuguina, a música no Egito Antigo era transmitida oralmente de geração em geração. Não há registros escritos de partituras ou evidências concretas sobre o som das melodias. Sabe-se que a música era baseada em ritmos e palmas, às vezes acompanhada de canto ou do uso de instrumentos como flautas, tambores e o sistro, um instrumento de percussão que produzia um som sibilante. Além disso, na dança, cada movimento tinha um significado específico.
A recriadora Agnessa Armorik, em entrevista à TV BRICS, comentou sobre um estereótipo relacionado às vestimentas do Egito Antigo.
"As roupas tradicionais eram feitas de linho branco, tecido de forma lisa, como os exemplares encontrados em tumbas. Tecidos coloridos são extremamente raros. No entanto, algumas pequenas pinturas em fragmentos de cerâmica indicam que detalhes coloridos não eram usados apenas em cerâmica, mas também em acessórios, como cintos, alguns dos quais foram descobertos por arqueólogos", explicou.
Os participantes podem aprender artesanato tradicional, como a tecelagem com plaquinhas que funcionam como pequenos teares. Cada plaquinha possui quatro furos, por onde passam quatro fios, que podem ser de uma ou várias cores. Ao girar as plaquinhas, os fios se entrelaçam, formando o tecido. Era assim que os egípcios produziam cintos coloridos de lã e linho, que eram amarrados duas vezes ao redor da cintura, com as pontas longas caindo até o chão, criando um contraste vertical sobre as túnicas de linho branco.
As mulheres do Antigo Egito não apenas se vestiam com elegância, mas também usavam maquiagem, que simbolizava status social e riqueza, além de oferecer proteção. O kohl, um tipo de delineador, era aplicado na linha d’água dos olhos para prevenir infecções – uma tradição que ainda persiste no Oriente Médio. Arqueólogos frequentemente encontram espelhos de cobre, pequenas caixas para óleos e pós faciais, além de palitos de osso usados como pincéis. As unhas eram tingidas de vermelho intenso com uma mistura de hena e cera, realçando ainda mais a estética e o simbolismo da beleza egípcia.
Durante os encontros do clube de reconstrução, cientistas ministram palestras e workshops sobre a escrita egípcia antiga, enquanto os participantes produzem joias, pintam relevos e jogam jogos de tabuleiro da época.
Fotografia: TV BRICS
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