Museu do Oriente abre exposição de arte balinesa em comemoração aos 75 anos de amizade entre Rússia e Indonésia
O Museu Estatal do Oriente em Moscou inaugurou a exposição "Viagens dos heróis da antiguidade: a arte da ilha de Bali". A mostra, composta quase que totalmente pelos fundos do museu, comemora o 80º aniversário da independência da Indonésia e os 75 anos do estabelecimento das relações diplomáticas com a Rússia.
A exposição apresenta cerca de 70 obras de arte tradicional balinesa, criadas para decorar templos. Muitas das peças são anônimas, remetendo à tradição, pois as pinturas eram consideradas um presente dos artistas para os deuses.
"Estamos felizes em apresentar esta exposição maravilhosa, brilhante e ensolarada, dedicada a duas datas muito importantes na história de nossos países", compartilhou o vice-diretor do museu para o desenvolvimento, Vladimir Avetisyan, durante a abertura.
O embaixador da Indonésia na Rússia, José Antonio Morato Tavares, destacou que a arte é uma ponte para fortalecer os laços com a Rússia. Em uma entrevista exclusiva à TV BRICS, ele comentou a popularidade da arte da ilha de Bali.
"A Indonésia é um país de ilhas. Temos cerca de 17 mil ilhas, das quais 3 mil são habitadas. E cada ilha tem seus próprios elementos culturais, suas tradições. A ilha de Bali é uma combinação maravilhosa de beleza natural e talento humano. Graças a essa combinação mágica, recebemos inúmeras obras de arte. Por isso, os indonésios chamam Bali de 'pulau [lugar de nascimento] dos deuses'", observou ele.
A curadora da exposição e pesquisadora sênior do museu, Galina Sorokina, explicou em entrevista à TV BRICS que as pinturas apresentadas são, em sua maioria, obras de templos do século XVI ao XX, criadas como presentes para os deuses. Os temas foram extraídos dos épicos hindus "Mahabharata" e "Ramayana", que em Bali adquiriram características locais. Os heróis dessas histórias se tornaram os personagens centrais das pinturas narrativas, cujos enredos se desenrolam em camadas, de baixo para cima.
A exposição também inclui fantoches do teatro de sombras Wayang, provenientes do Museu de Arte Tradicional dos Povos do Mundo, para mostrar a interconexão entre diferentes formas de arte. O mesmo herói poderia ganhar vida tanto nas mãos do marionetista quanto na tela pintada.
O renomado orientalista Vilen Sikoriski, presente na abertura, destacou a singularidade da cultura indonésia em um comentário exclusivo à TV BRICS.
"Bali é um mundo absolutamente único, preservado em um só lugar. Sua base é, claro, a influência da cultura indiana [...] O segundo grande impacto foi o árabe, que depois foi reinterpretado e se tornou algo próprio. [...] A verdadeira arte balinesa não perde para as obras dos grandes artistas", afirmou ele.
Sikoriski também expressou sua felicidade ao ver que uma pintura que ele havia presenteado ao museu foi incluída na exposição.
A exposição "Viagens dos heróis da antiguidade" pode ser vista no Museu do Oriente até 8 de fevereiro.
Fotografia: Museu do Oriente
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