Belarus alcança 300% de autossuficiência em leite
Produtos lácteos seguem entre os principais itens das exportações alimentares do país
O nível de autossuficiência de Belarus em leite chegou a 300%. A informação foi divulgada por Svetlana Kondratenko, vice-diretora de Pesquisa do Instituto de Pesquisas Sistêmicas no Complexo Agroindustrial da Academia Nacional de Ciências de Belarus, segundo a BelTA, parceira da TV BRICS.
Segundo ela, Belarus possui grande potencial de exportação no setor agroalimentar. Entre os produtos mais demandados, Kondratenko citou lácteos, carne bovina, carne de aves, embutidos, alimentos infantis, açúcar e óleo vegetal.
Kondratenko destacou que o país desempenha papel relevante na segurança alimentar regional no âmbito da União Econômica Eurasiática. Belarus responde por mais de 40% do volume total do comércio de produtos alimentícios dentro do grupo.
De acordo com os dados mais recentes, o nível de autossuficiência do país é de 300% em leite, 140% em carne, 130% em ovos e mais de 100% em hortaliças e batatas. Os produtos agrícolas representam 24% das exportações de mercadorias de Belarus.
"Esse alto nível de produção própria permite, em primeiro lugar, abastecer o mercado interno com produtos nacionais de qualidade a preços acessíveis para a população", observou.
Os produtos de origem animal tradicionalmente formam cerca de 60% da cesta de exportações alimentares de Belarus. Desse total, cerca de 40% correspondem aos lácteos, enquanto carnes e derivados representam aproximadamente 20%.
Entre as vantagens de Belarus no mercado alimentar mundial, Kondratenko destacou a imagem do país como fornecedor confiável de produtos naturais e de qualidade, a base própria de matérias-primas, a infraestrutura moderna de processamento e o apoio científico em toda a cadeia agroalimentar.
"Todos esses fatores nos permitem desenvolver competências com sucesso nos mercados mais competitivos", ressaltou a vice-diretora.
O potencial de exportação da indústria láctea é sustentado pela pecuária intensiva. O crescimento anual da produção de leite é garantido pelo aumento da produtividade das vacas, que chegou a 6,5 mil kg por ano.
Na avaliação da especialista, os produtos lácteos belarussos mantêm alta demanda nos mercados da União Econômica Eurasiática e da Comunidade dos Estados Independentes. Além disso, o aumento da demanda global por esses produtos abre oportunidades para o país fortalecer sua presença em mercados da Ásia, da África e do Oriente Médio.
Kondratenko também observou que os fabricantes belarussos desenvolvem uma linha voltada às demandas dos consumidores por alimentação saudável. Ela inclui queijos com alto teor de proteína e cálcio, iogurtes, produtos funcionais enriquecidos com fibras alimentares e vitaminas, além de alimentos especializados para crianças.
Também foi informado que Belarus produziu quase 9,2 milhões de toneladas de leite em 2025. Kondratenko acrescentou que esse volume é quase 20% maior do que o registrado em 2021. Durante a implementação do novo programa estatal para 2026-2030, o país planeja produzir, no total, mais de 49 milhões de toneladas de leite, 17% acima do volume do período anterior de cinco anos.
Segundo Aleksandr Mozol, professor associado do Departamento de Economia do Complexo Agroindustrial e Gestão Ambiental da Universidade Estatal de Economia de Belarus, o país possui todas as condições necessárias para passar do papel de exportador regional ao status de fornecedor global de produtos com alto valor agregado.
"A indústria láctea belarussa está no limiar de uma transição qualitativa. O potencial produtivo acumulado, a base científica desenvolvida e a ampla infraestrutura de exportação criam uma base sólida para ampliar a presença do país no mercado global de produtos premium", destacou Mozol.
De acordo com projeções de analistas, o mercado global de produtos lácteos deve crescer 3,06% ao ano até 2035.
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