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Diretor-Geral do Conselho de Segurança Nacional da Malásia, Nushirwan Zainal Abidin: "Países do BRICS têm grande potencial na economia digital para fortalecer o comércio"

Malásia apresenta suas prioridades na cooperação com o BRICS, incluindo economia digital, cibersegurança, políticas climáticas e laços culturais

Em uma entrevista exclusiva à TV BRICS, concedida às margens do Fórum Internacional de Segurança, o diretor-geral do Conselho de Segurança Nacional da Malásia, Nushirwan Zainal Abidin, falou sobre as prioridades do país dentro de sua parceria com o BRICS. Ele abordou uma ampla gama de temas, incluindo o fortalecimento da cooperação comercial entre os países-membros, bem como o uso da inteligência artificial. Além disso, destacou a importância da cooperação cultural e humanitária, incluindo iniciativas lideradas pela Unesco e uma colaboração mais ampla no Sudeste Asiático.

— Em 2025, a Malásia ingressou no BRICS como país parceiro. O grupo dedica grande atenção ao fortalecimento da paz, da segurança e da estabilidade internacional. Entre as áreas prioritárias mencionadas pelos chefes de Estado no Rio de Janeiro estão o combate ao terrorismo, a construção de um ambiente digital seguro e o uso de tecnologias espaciais para fins pacíficos. Como deve ser estruturado o trabalho para alcançar esses objetivos?

— Estamos muito satisfeitos com o fato de os membros do BRICS terem concordado em aceitar a Malásia como país-parceiro. Como você sabe, o primeiro-ministro [malaio] afirmou que o BRICS é muito importante para a Malásia. Em 2025, [Vladimir] Putin defendeu a ideia de uma ordem mundial policêntrica, e certamente concordamos com essa visão. O BRICS se expandiu muito rapidamente, e as áreas de foco mencionadas são, de fato, extremamente importantes.

Na era da digitalização em que vivemos hoje, a expressão mais clara disso é a economia digital, é claro. No caso da Malásia, cerca de um quarto da nossa economia, aproximadamente 24,5%, já é digital, e esperamos que esse número aumente rapidamente para 30%.

Nesse sentido, os países do BRICS têm um enorme potencial potencial, inclusive no uso da economia digital para fortalecer o comércio entre nós. Embora possamos não ter necessariamente a vantagem de quem chega primeiro, temos a vantagem de adotar tecnologias digitais em uma fase mais avançada e aprender com a experiência já acumulada.

Em segundo lugar, o combate ao terrorismo continua sendo uma prioridade importante.

Quanto à exploração espacial, a Malásia é uma nação com atividade espacial há cerca de 30 anos. A Rússia está claramente muito à frente nessa área, e esperamos fortalecer a cooperação com a Rússia nesse aspecto.

Em termos de estruturas institucionais, não prevemos a necessidade de um formato muito complexo ou dispendioso. No fim das contas, a prioridade é fortalecer a cooperação bilateral, e o BRICS deve servir como uma plataforma para intensificar a cooperação tanto entre os países-membros quanto dentro de cada um deles.

— No que diz respeito à cibersegurança, a Malásia aprovou o Plano Integrado de Segurança de Fronteiras para o período de 2026 a 2030. Ele se baseia em um sistema digital inteligente, projetado para monitorar todos os tipos de fronteiras: terrestres, marítimas e aéreas. Qual é o papel da inteligência artificial nesse sistema?

— A inteligência artificial é central nesse sistema, e os benefícios são bastante evidentes, pois a natureza do controle de fronteiras em terra, no mar e no ar é bastante diferente. No entanto, essas três áreas precisam ser consideradas e geridas de forma integrada.

Existem muitos tipos diferentes de sistemas de radar, diversas formas de imagens de satélite e uma ampla variedade de sistemas de vigilância em campo. Por isso, a inteligência artificial é extremamente importante para integrar todos esses elementos e permitir que funcionem de maneira eficaz como um único sistema.

Seu papel não se limita apenas ao monitoramento do que acontece nas próprias fronteiras, mas também inclui a gestão do que ocorre dentro do país após a passagem pela fronteira. A gestão de fronteiras deve ser entendida como um processo contínuo, que não se encerra simplesmente na linha fronteiriça. Por isso, a inteligência artificial tem um papel igualmente importante em todo o sistema de segurança de fronteiras.

— O governo está elaborando hoje um projeto de lei sobre crimes cibernéticos. Qual impacto ele deve ter?

— Hoje, o crime cibernético assume muitas formas diferentes, e estamos em processo de introduzir uma nova legislação para lidar com esses desafios. Esperamos obter aprovação parlamentar na próxima sessão. Há dois aspectos centrais nesse esforço: o primeiro é a própria lei, e o segundo envolve enfrentar o ambiente mais amplo e as condições que permitem que esses crimes ocorram.

Nosso projeto de lei sobre crimes cibernéticos é, portanto, bastante abrangente e deve atuar em conjunto com outras legislações já existentes, incluindo a Lei de Cibersegurança, aprovada há dois anos.

— Em relação às questões ambientais, elas também ocupam um lugar importante na agenda da Malásia. O governo está atualmente desenvolvendo seu primeiro Plano Inclusivo de Adaptação Nacional, com o objetivo de preparar o país para as consequências das mudanças climáticas. Como esse sistema deve funcionar?

— Em primeiro lugar, é necessário tratar do básico, e o básico é a educação pública. Na Malásia, tivemos a sorte de não enfrentar os efeitos adversos das mudanças climáticas da mesma forma que muitos outros países, especialmente pequenas nações insulares em desenvolvimento. Por isso, de forma bastante franca, o nível de conscientização pública ainda não é tão alto quanto deveria ser.

A educação é a primeira grande questão a ser enfrentada. Em segundo lugar, temos a vantagem de que, por muitos anos, o governo malaio tem demonstrado compromisso com a proteção ambiental. Na Cúpula do Rio de 1992, há 34 anos, o governo já havia assumido o compromisso de manter 50% da área terrestre do país coberta por florestas.

Em outras palavras, metade do território permaneceria verde. Esse foi um compromisso claro assumido pelo governo. Com grande satisfação, posso dizer que, embora a meta fosse de 50%, hoje a cobertura florestal já ultrapassa esse número, situando-se em torno de 52% a 53%. As florestas tropicais são consideradas os "pulmões do mundo" no processo de conversão de dióxido de carbono em oxigênio, e, por isso, mantemos firme esse compromisso.

— A Unesco lançou um projeto sobre artes tradicionais na Indonésia e na Malásia. Que impacto essa iniciativa pode ter na proteção do patrimônio cultural da região?

— Sem dúvida, acredito que essa seja uma iniciativa muito bem-vinda. Compartilhamos um espaço cultural comum. Existem muitas tradições e elementos culturais presentes na Indonésia, na Malásia e também em Singapura, ainda que com variações locais em cada país. O fato de os três países trabalharem juntos para promover essa abordagem é extremamente positivo.

Na prática, acredito que essa iniciativa também ajudará a fortalecer o turismo nos três países. O turismo é um fenômeno muito interessante no Sudeste Asiático, pois é um campo de competição e também de cooperação. Competimos para atrair mais turistas para nossos respectivos países, mas, ao mesmo tempo, cooperamos para incentivar esses visitantes a conhecer não apenas um, mas os três destinos. O turismo é uma área bastante interessante de cooperação no Sudeste Asiático, especialmente entre esses três países.

— Como os países do BRICS podem fortalecer ainda mais sua cooperação no campo de projetos humanitários?

— Uma área que pode ser considerada é a preservação cultural. Existem muitos elementos na nossa região que, francamente, não são preservados da melhor forma possível, e esse é um campo que poderia receber maior atenção. A segunda área é a educação cultural. O nível de educação e conscientização cultural na Rússia é muito mais elevado do que na Malásia.

Costumo dizer a meus amigos na Malásia que a literatura russa, desde a época de [Aleksandr] Pushkin, é uma das maravilhas da imaginação humana. A literatura russa manteve uma linha contínua de grandes nomes ao longo do tempo, desde os dias de Pushkin, e provavelmente antes, até os dias atuais.

São poucos os países no mundo que podem afirmar algo semelhante. Isso se reflete no orgulho, um orgulho bem fundamentado, que o povo russo tem, como base para a construção da consciência nacional e de identidade.

— Qual é o seu escritor ou autor russo favorito?

— Ivan Turguêniev é o melhor. Como revisor, para alguém de sua época, acredito que ele estava provavelmente na vanguarda da literatura, tanto em termos de forma quanto de temas abordados, que considero muito sérios.

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