Brasil desenvolve dicionários multimídia para preservar línguas indígenas
Idiomas ajudam a transmitir tradições, crenças, conhecimentos e visões de mundo entre gerações
Pesquisadores no Brasil estão desenvolvendo dicionários multimídia para preservar línguas indígenas, muitas das quais estão ameaçadas de desaparecer. A informação foi divulgada pelo Metrópoles, parceiro da TV BRICS.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no país cerca de 295 línguas indígenas, faladas por representantes de 391 grupos étnicos. Algumas são utilizadas por apenas poucas pessoas, enquanto outras já estão praticamente em desuso. Por exemplo, apenas três ou quatro pessoas ainda conhecem a língua falada pelo líder indígena José Augusto Canoé.
Mesmo quando uma língua deixa de ser utilizada com frequência no cotidiano, ela permanece presente na memória das pessoas, nas tradições e na identidade étnica. Por isso, sua preservação também contribui para manter vivas a história e a herança cultural de todo um povo, destacam os pesquisadores.
A ideia de criar dicionários multimídia surgiu a partir de pedidos das próprias comunidades, interessadas em garantir que filhos e netos possam aprender as línguas tradicionais de seus antepassados. As ferramentas foram desenvolvidas por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) em parceria com comunidades indígenas da Amazônia.
Os dicionários estão disponíveis em uma plataforma digital que reúne palavras em línguas indígenas, traduções para o português, ilustrações e gravações em áudio com a pronúncia de falantes nativos.
Os pesquisadores buscam preservar não apenas o vocabulário e as regras linguísticas, mas também os conhecimentos e as tradições associados a cada idioma. O material reúne lendas, histórias, canções, costumes e técnicas de produção de diferentes objetos, além de conhecimentos sobre plantas medicinais e métodos tradicionais de tratamento.
Segundo os especialistas, os dicionários multimídia podem se tornar uma ferramenta importante para a preservação e revitalização dessas línguas. Além de ajudar as comunidades a transmitir conhecimentos ancestrais às novas gerações, os projetos permitem que a sociedade brasileira conheça melhor a diversidade linguística e o patrimônio cultural dos povos indígenas do país.
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