China consolida avanços na reintrodução de pandas gigantes à natureza
Taxa de sobrevivência dos animais reintroduzidos ao ambiente selvagem alcança 81%
A China vem registrando avanços expressivos nos programas de reintrodução ao ambiente natural de pandas gigantes criados em cativeiro. Os resultados fortalecem os esforços de conservação da espécie e contribuem para a recuperação de populações selvagens, informou o China Daily, parceiro da rede TV BRICS.
Desde 2003, o Centro de Pesquisa e Conservação do Panda Gigante da China desenvolve iniciativas voltadas à preparação de animais para a vida em liberdade. O programa inclui métodos de treinamento que permitem aos filhotes aprender habilidades essenciais de sobrevivência com suas mães. Paralelamente, a instituição implementou um sistema tecnológico de monitoramento para acompanhar a saúde, os deslocamentos e o comportamento dos pandas após a soltura.
De acordo com o centro, 11 pandas gigantes já foram reintroduzidos na natureza. Desses, nove sobreviveram, o que representa uma taxa de sobrevivência média de 81,8%. Sete animais passaram a integrar uma subpopulação ameaçada na região de Xiaoxiangling, enquanto outros dois se estabeleceram na área montanhosa de Minshan, reforçando grupos selvagens já existentes.
O primeiro panda libertado por meio do programa foi Taotao, nascido em agosto de 2010 e reintroduzido na Reserva Natural de Liziping em outubro de 2012. Atualmente, aos 14 anos, o animal continua vivendo com sucesso em seu habitat natural, tornando-se um dos principais exemplos da eficácia da iniciativa.
Segundo os pesquisadores, os resultados demonstram que pandas criados em cativeiro podem não apenas sobreviver na natureza, mas também se reproduzir e contribuir para o fortalecimento de populações selvagens. A experiência é considerada um marco para a conservação da espécie e pode servir de modelo para projetos semelhantes envolvendo outros grandes mamíferos ameaçados.
O centro informou que pretende ampliar os estudos e dar continuidade às ações de reintrodução nos próximos anos. Dados oficiais indicam que a China abriga atualmente cerca de 1,9 mil pandas gigantes em estado selvagem e mais de 800 indivíduos em cativeiro. Desde a criação do Parque Nacional do Panda Gigante, em 2021, aproximadamente 1,4 mil pandas vivem dentro da área protegida.
A proteção de espécies ameaçadas de extinção integra a agenda de diversos países do BRICS e de seus parceiros, que também desenvolvem programas de recuperação populacional e de reintrodução de animais em seus habitats naturais.
Uma expedição científica voltada ao estudo do grou-siberiano (Leucogeranus leucogeranus), espécie incluída no Livro Vermelho da Rússia, será realizada no Parque Nacional Kytalyk, na República de Sakha (Iacútia), com a participação de especialistas russos e ornitólogos chineses. Segundo o Ministério dos Recursos Naturais da Rússia, os pesquisadores dos dois países acompanharão o processo de nidificação das aves e trocarão experiências sobre técnicas de anilhamento, captura segura e monitoramento da espécie.
No Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, ocorreu recentemente a primeira reintrodução de araras-canindé em muitos anos. Até então, acreditava-se que a espécie estivesse extinta na região. De acordo com a Agência Brasil, o plano prevê a reintrodução de 50 aves ao longo de cinco anos, com a soltura de dez indivíduos por ano. Após o retorno ao ambiente natural, os animais serão acompanhados por especialistas para avaliar sua adaptação e sobrevivência.
Na Índia, as ações de conservação também avançam no Parque Nacional de Kuno. Uma gueparda sul-africana que vive na unidade deu à luz três filhotes, formando a nona ninhada bem-sucedida do Projeto Guepardo (Cheetah Project). Atualmente, o país abriga 38 guepardos, enquanto o número de filhotes sobreviventes chegou a 27. Segundo a News9, parceira da TV BRICS, o programa foi lançado em 17 de setembro de 2022 como uma iniciativa internacional de translocação da espécie, com o objetivo de restabelecer a população de guepardos na Índia, onde o animal foi declarado extinto em 1952.
No Cazaquistão, um grupo de cavalos de Przewalski foi reintroduzido na Reserva Natural Estatal de Altyn Dala. De acordo com a Kazinform, parceira da TV BRICS, os animais permaneceram durante um ano em uma área cercada da reserva sob supervisão de especialistas, período em que se adaptaram às condições locais. O Ministério da Ecologia e dos Recursos Naturais do Cazaquistão destacou que a iniciativa representa um marco relevante no processo de retorno dessa espécie rara ao seu habitat histórico e um passo importante para a recuperação de sua população selvagem no país.
DIGITAL WORLD
Centro de Mídia do BRICS+
RUSSO CONTEMPORÂNEO