Egito descobre necrópole que atravessa 5 mil anos de história
Descoberta revela mudanças nas práticas funerárias ao longo de milênios
Uma missão arqueológica descobriu, no sítio de Kom Al-Khelgan, na província egípcia de Dacalia, uma necrópole que reúne vestígios do período pré-dinástico à época greco-romana. No local, também foram identificadas uma área residencial e sepulturas do Segundo Período Intermediário, informou o Daily News Egypt, parceiro da TV BRICS.
Entre os vestígios mais antigos estão sepulturas associadas às fases Buto I e Buto II, da cultura do Baixo Egito, datadas da primeira metade do quarto milênio a.C. Os arqueólogos encontraram covas ovais simples, escavadas no solo arenoso, com corpos enterrados em diferentes posições. Pequenos recipientes de cerâmica feitos à mão e conchas de ostras marinhas foram identificados como oferendas funerárias.
O sítio também revelou sepulturas das 15ª à 17ª dinastias e do início do Novo Reino, período marcado pela presença dos hicsos na região. A proximidade de Kom Al-Khelgan com Avaris, capital dos hicsos no leste do Delta, reforça a importância arqueológica do local. A variedade dos túmulos e dos objetos funerários fornece ainda informações sobre os costumes e as práticas funerárias desse período.
Vestígios posteriores incluem uma tumba de tijolos de barro associada ao início da 18ª dinastia. Já as evidências mais recentes são do período ptolomaico e indicam uma mudança para formas mais simples de sepultamento.
A presença de vestígios de diferentes períodos permite acompanhar as transformações nas formas de assentamento e nas tradições funerárias do leste do Delta do Nilo ao longo de milhares de anos. O conjunto arqueológico amplia o conhecimento sobre a história da região e sobre as práticas adotadas por suas comunidades em diferentes épocas.
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