Indonésia negocia exportação de fertilizantes para Brasil
País pode fornecer até 1 milhão de toneladas anuais ao mercado externo
A Indonésia está realizando negociações com Índia, Brasil e outros países para fornecer fertilizantes à base de ureia. Segundo o ministro da Agricultura, Andi Amran Sulaiman, o país pode destinar até 1 milhão de toneladas por ano ao mercado internacional. A informação foi divulgada pela Antara News.
De acordo com o ministro, os países interessados já apresentaram pedidos formais, enquanto as negociações seguem em andamento. A demanda total é estimada em pelo menos 750 mil toneladas. A Índia solicitou 500 mil toneladas, enquanto o volume pretendido pelo Brasil ainda está sendo definido. A Tailândia também é considerada um potencial importador.
Sulaiman destacou que a capacidade anual de produção de ureia na Indonésia é de cerca de 7,8 milhões de toneladas, com uma demanda interna de aproximadamente 6 milhões. Ele ressaltou que o aumento da demanda global por fertilizantes cria oportunidades para ampliar as exportações agrícolas, mas enfatizou que a segurança alimentar nacional e os interesses dos agricultores permanecem como prioridade.
Dados indicam que, em 2025, as exportações de produtos agrícolas da Indonésia cresceram 167 trilhões de rupias indonésias (cerca de R$ 46 bilhões), enquanto as importações recuaram 41 trilhões de rupias (aproximadamente R$ 11 bilhões), ampliando o superávit comercial e evidenciando o fortalecimento da competitividade do setor agrícola.
Os países do BRICS vêm intensificando a cooperação no campo dos fertilizantes químicos, cujo uso é considerado um pilar fundamental para garantir a segurança alimentar global.
A Índia, tradicionalmente um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo, segue avançando na adoção de soluções mais sustentáveis. A IANS, parceira da TV BRICS, informou que o Departamento de Fertilizantes do Ministério de Produtos Químicos da Índia organizou, no âmbito da Missão Nacional de Hidrogênio Verde, a assinatura de acordos entre fabricantes de fertilizantes e fornecedores de amônia verde.
As empresas firmaram contratos de longo prazo, com duração de dez anos e preços fixos, para o fornecimento de amônia verde. A medida deve contribuir para estabilizar a produção interna de fertilizantes fosfatados e potássicos, além de proteger os agricultores das oscilações de preços. Produzida a partir de fontes como energia solar e eólica, a amônia verde permite reduzir de forma significativa a pegada de carbono.
Outro avanço vem de uma equipe científica conjunta da China e da Rússia. Segundo a Universidade Russa da Amizade dos Povos, pesquisadores identificaram que a melhoria na organização das folhas das plantas pode elevar em cerca de 33% a produtividade de culturas como arroz, trigo, milho e soja.
Com base em 16 anos de dados de satélite e no uso de inteligência artificial, os cientistas desenvolveram um índice capaz de medir a eficiência da distribuição das folhas na captação de luz. Esse método também contribui para reduzir as emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa cujo impacto no aquecimento global é cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono.
Caso seja aplicada em escala global, a tecnologia poderá elevar a produção de alimentos em aproximadamente 336 milhões de toneladas por ano, volume suficiente para alimentar cerca de 800 milhões de pessoas, além de reduzir em 41,6% as emissões de óxido nitroso.
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