Índia restaura mais de 21 milhões de hectares de terras degradadas
Programas de restauração visam recuperar 26 milhões de hectares até 2030
A Índia restaurou 21,7 milhões de hectares de terras degradadas e desmatadas, aproximando-se da meta nacional de recuperação de 26 milhões de hectares até 2030. Os dados foram apresentados em relatório do Ministério do Meio Ambiente e divulgados pela News9, parceira da TV BRICS.
O relatório foi publicado por ocasião do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca de 2026, celebrado em 17 de junho. A data, instituída pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD), tem como objetivo conscientizar sobre os impactos da degradação dos solos e da escassez hídrica, além de reforçar a importância da recuperação de áreas degradadas para a sustentabilidade ambiental e econômica.
A restauração de terras tornou-se uma prioridade estratégica no país, uma vez que cerca de 30% do território indiano é afetado por processos de degradação e desertificação. Essa condição impacta diretamente a agricultura, a disponibilidade de água e os meios de subsistência de milhões de pessoas, sobretudo em áreas rurais.
As iniciativas de recuperação abrangem diferentes ecossistemas em todo o território, incluindo florestas, bacias hidrográficas, pastagens, zonas úmidas, manguezais e áreas agrícolas. Entre os principais resultados estão o tratamento de mais de 27 milhões de hectares por meio de programas de gestão de bacias hidrográficas e a criação de mais de 61 milhões de ativos de recursos naturais monitorados por sistemas de georreferenciamento.
Os esforços também incluem ações de reflorestamento e recomposição da cobertura vegetal. Programas como a Missão Índia Verde e projetos financiados por fundos ambientais já recuperaram centenas de milhares de hectares. Além disso, o país ampliou iniciativas de manejo florestal sustentável, agroflorestas, cultivo de bambu e conservação de manguezais, considerados essenciais para a proteção da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a regulação dos recursos hídricos.
As áreas secas da Índia ocupam cerca de 228 milhões de hectares e desempenham papel fundamental na produção agrícola, na pecuária e na geração de renda de comunidades rurais. Nesse contexto, a recuperação desses territórios é vista como estratégica para fortalecer a segurança alimentar e aumentar a resiliência climática do país.
Os avanços integram a participação da Índia no Desafio de Bonn, iniciativa global que busca restaurar 350 milhões de hectares de terras degradadas e desmatadas em todo o mundo até 2030.
Muitos países ao redor do mundo vêm ampliando a cooperação em projetos ambientais conjuntos voltados ao enfrentamento da degradação dos solos e à promoção da sustentabilidade diante dos desafios climáticos.
O ano de 2026 foi declarado pela Assembleia Geral da ONU como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, com o objetivo de chamar a atenção para os riscos crescentes enfrentados pelos ecossistemas de estepes, desertos e áreas áridas. Nesse contexto, a CNUCD lançou a "Caravana da Rota da Seda", um projeto que será implementado em uma extensa região que vai da Turquia à Mongólia. A iniciativa prevê encontros entre especialistas e comunidades locais para registrar práticas de uso sustentável da terra e ações de recuperação ambiental. Segundo analistas, o projeto pode impulsionar programas científicos conjuntos e fortalecer o monitoramento ambiental transfronteiriço.
A China e os países da Ásia Central criaram, no ano passado, um centro conjunto de combate à desertificação, que já apresenta resultados concretos. Foram estabelecidas seis bases demonstrativas voltadas ao desenvolvimento de espécies vegetais adaptadas a solos arenosos e à elaboração de técnicas de recuperação de áreas áridas e degradadas. Também estão sendo realizados seminários internacionais e capacitações de especialistas, além da elaboração de projetos para o Cazaquistão, Uzbequistão e Quirguistão, com previsão de implementação até o fim do ano corrente. A informação é da Xinhua News Agency, parceira da TV BRICS.
No Cazaquistão, está previsto o desenvolvimento de um sistema de cinturões florestais de proteção e barreiras vegetais para conter a degradação dos solos e a desertificação. Essas faixas são compostas por árvores e arbustos plantados estrategicamente para reduzir a erosão causada pelo vento e pela água, preservar a umidade do solo, melhorar as condições das áreas agrícolas e diminuir o risco de desertificação. Esse projeto será executado em paralelo ao programa nacional de plantio de 2 bilhões de árvores, informou a Kazinform, parceira da rede TV BRICS.
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