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Cientistas usam extrato de planta para criar nanopartículas de prata com potencial para tratamento do câncer

Estudo conduzido com participação de pesquisador da RUDN testou as nanopartículas em células de câncer de mama

Pesquisadores da Rússia, em parceria com especialistas de outros países, encontraram uma forma de usar as folhas de uma planta, a melaleuca ou árvore-do-chá australiana, para combater bactérias, fungos e até células cancerígenas.

Um dos pesquisadores foi o professor associado do Departamento de Farmácia e Biotecnologia da Universidade Russa da Amizade dos Povos (RUDN), Aleksandr Vetcher, de acordo com publicação divulgada no site da RUDN, parceira da TV BRICS.

A prata é conhecida há séculos por suas propriedades antimicrobianas, mas em escala nanométrica (partículas cerca de mil vezes mais finas que um fio de cabelo) ela se torna ainda mais ativa. Isso acontece porque, quanto menores as partículas, maior é a área de superfície em contato com o ambiente.

No estudo, foram tratadas folhas de melaleuca (da qual se extrai o óleo de melaleuca) para preparar uma infusão em água quente, à qual foi então adicionada uma solução de sal de prata. Em apenas alguns minutos, a solução, antes incolor, ficou amarronzada, e esse foi o sinal de que nanopartículas haviam se formado.

O diferencial da pesquisa foi o potencial anticâncer das nanopartículas formadas. Os cientistas testaram diferentes doses em células da linhagem agressiva de câncer de mama MCF-7. As células saudáveis sobreviveram, enquanto as cancerígenas morreram.

O índice IC50 (concentração na qual metade das células cancerígenas morre) foi de apenas 8,16 µg/mL. Para efeito de comparação, esse valor é cerca de cinco vezes menor que a dose na qual se observa o efeito antioxidante (41,17 µL/mL). Ou seja, as nanopartículas agem como um medicamento de ação direcionada: as células cancerígenas as "reconhecem" e se destroem, alterando sua forma (encolhem e se desprendem da superfície).

Além disso, as nanopartículas demonstraram boa atividade antioxidante, neutralizando até 69% dos radicais livres, o que é benéfico em casos de inflamação e envelhecimento dos tecidos.

A pesquisa ainda seguirá para a fase de testes, mas, segundo a fonte, há grandes perspectivas de que essas nanopartículas "verdes" possam servir de base para o desenvolvimento de pomadas contra infecções fúngicas de difícil tratamento, revestimentos para cateteres e até novos medicamentos anticâncer, com efeitos colaterais reduzidos.

O estudo conduzido com participação da RUDN reflete um movimento mais amplo nos países do BRICS e BRICS+, onde investimentos em pesquisas para o combate ao câncer têm impulsionado a criação de novos centros, métodos de tratamento e terapias de diagnóstico.


No Irã, uma pesquisa conduzida pelo professor e pesquisador iraniano Majid Assadi põe em foco uma abordagem inovadora para combater o câncer usando imagem molecular e teranóstica, uma área de medicina de precisão. Segundo a Pars Today, parceira da TV BRICS, o estudo foca em técnicas emergentes que combinam imagens avançadas com terapias direcionadas para melhor detecção e tratamento de tumores.


O Brasil inaugurou um centro oncológico de desenvolvimento e produção da terapia celular CAR-T no Rio de Janeiro. A unidade permitirá a fabricação nacional de medicamentos celulares, que poderão tratar pacientes com leucemia, linfomas e mielomas e serão disponibilizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi repercutida pela Agência Brasil.


Paralelamente, Cuba desenvolveu uma nova vacina terapêutica para o tratamento de tumores sólidos. De acordo com a Prensa Latina, parceira da TV BRICS, os testes apresentaram resultados promissores para diferentes tipos de câncer, incluindo colorretal, hepatocarcinoma, renal e de ovários em estágios avançados.