Índia cria corredores de terras-raras em regiões com alto potencial mineral
Projeto busca consolidar país como ator competitivo no setor em nível global
A Índia lançou uma iniciativa para fortalecer seu compromisso com os minerais críticos: a criação de corredores especializados em regiões ricas em recursos minerais. A informação foi compartilhada pela IANS, parceira da TV BRICS.
Segundo a ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, a iniciativa será implementada nos estados de Odisha, Querala, Andhra Pradesh e Tamil Nadu. Nessas regiões, serão criados centros integrados que abrangerão toda a cadeia produtiva do setor, desde a exploração e o processamento até o uso industrial, incluindo pesquisa, inovação e a fabricação de produtos de alto valor agregado.
Os estados selecionados concentram grandes depósitos de monazita e outros minerais presentes na areia das praias, especialmente ao longo das costas leste e sul do país. Essas reservas contêm altas concentrações de terras-raras, tornando-as fundamentais para a estratégia mineral de longo prazo da Índia.
O projeto faz parte dos esforços nacionais para ampliar a produção de elementos de terras-raras, essenciais para setores como eletrônicos, energias renováveis, mobilidade elétrica e manufatura avançada. Ele está vinculado a um programa nacional aprovado no final de 2025, que visa criar uma capacidade integrada de fabricação de 6 mil toneladas de ímãs permanentes de terras-raras por ano, reforçando a ambição da Índia de se tornar um ator competitivo no mercado global desse setor estratégico.
A iniciativa também está alinhada a objetivos mais amplos da política nacional de minerais críticos e a reformas recentes para a modernização do setor, conferindo maior transparência e rapidez na execução de projetos.
Em diferentes países do BRICS, observa-se um esforço significativo voltado à extração de elementos de terras-raras, à sua exportação e à produção de bens derivados dessas matérias-primas.
Na Rússia, por exemplo, o ministro da Indústria e do Comércio, Anton Alikhanov, informou que, no ano passado, entrou em operação uma unidade de extração de germânio na região de Primorie. Além disso, está prevista a implantação de 15 novas unidades industriais e a modernização de grandes fábricas já em funcionamento destinadas à produção de 65 itens estratégicos à base de metais raros e terras raras, segundo informou o órgão governamental russo.
No Brasil, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, ressaltou a relevância não apenas da exploração de jazidas de elementos críticos de terras raras, mas também do seu processamento em território nacional, de modo a ampliar o valor agregado da produção. Segundo ele, o país detém a segunda maior reserva mundial desses metais. O Metrópoles, parceiro da TV BRICS, cita como exemplo uma das maiores jazidas de quartzo do planeta, atualmente exportado em estado bruto.
Na China, especialistas avaliaram de forma positiva a decisão das autoridades de intensificar o controle sobre a exportação de metais de terras raras, destacando que a medida busca fomentar o desenvolvimento sustentável do setor. Paralelamente, Pequim tem acelerado a análise dos pedidos de licenças de exportação relacionados a esses elementos com o objetivo de assegurar a estabilidade e a segurança das cadeias industriais e de suprimentos globais, de acordo com informações do China Daily, parceiro da TV BRICS.
Fotografia: jonnysek / iStock
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