Vietnã incorpora inteligência artificial e tecnologias avançadas à saúde
País prioriza avanço da medicina inteligente e ampliação do acesso da população
No Vietnã, a inteligência artificial já integra procedimentos de diagnóstico e cirurgias. Paralelamente, hospitais têm avançado na digitalização de seus processos, enquanto clínicas regionais começam a receber equipamentos e métodos modernos de tratamento, um movimento que sugere uma expansão gradual da modernização da saúde pelo país. A informação é da Vietnam News Agency (VNA), parceira da TV BRICS.
Em Hue, o Congresso Nacional de Cirurgia e Operações Endoscópicas reuniu mais de 700 especialistas. Durante o evento, foram apresentados mais de 260 trabalhos sobre cirurgia robótica, aplicação da IA na tomada de decisões clínicas, modelagem tridimensional de procedimentos cirúrgicos e análise da literatura médica.
Na gastroenterologia, o uso de tecnologias avançadas também está em expansão. Médicos empregam a endoscopia com imagem de banda estreita (NBI) para detectar com antecedência doenças do trato gastrointestinal, além de recorrerem a métodos modernos de endoscopia intervencionista.
Esses recursos começam a chegar também às regiões. Um hospital no delta do Mekong, por exemplo, investiu mais de US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões) na criação de um centro especializado em gastroenterologia e endoscopia.
A ampliação do acesso a essas tecnologias envolve ainda a cooperação entre autoridades regionais e instituições médicas e educacionais. O Departamento de Saúde da província de Vinh Long assinou um memorando com a Universidade de Medicina de Ho Chi Minh. O acordo prevê a formação conjunta de especialistas, a transferência de tecnologias, o desenvolvimento de soluções digitais e de recursos de medicina inteligente, além da realização de pesquisas científicas.
Espera-se que essa cooperação contribua para melhorar a assistência médica na região e reduzir o número de pacientes que precisam ser encaminhados para grandes centros médicos.
Outra frente de atuação é a ampliação do acesso aos serviços de saúde para moradores de áreas remotas e grupos vulneráveis. No país, são realizados exames médicos abrangentes gratuitos, incluindo ações itinerantes destinadas a idosos e pessoas com deficiência. Também avançam os prontuários médicos eletrônicos, que permitem aos profissionais acompanhar o estado de saúde de pacientes com doenças crônicas e, quando necessário, encaminhá-los a especialistas.
Os países do BRICS também estão ampliando o desenvolvimento de tecnologias médicas avançadas e buscando acelerar a adoção de novas soluções no setor.
Em Xangai, foi realizada a primeira cirurgia comercial do mundo com o uso de uma interface cérebro-computador (BCI) para recuperar os movimentos da mão. A tecnologia capta e decodifica sinais de eletroencefalografia por meio de eletrodos instalados sobre a dura-máter e identifica o movimento que o paciente pretende realizar. Em seguida, auxilia na execução desse movimento. Após o procedimento, o paciente recuperou completamente a capacidade de fechar a mão, informa a CGTN, parceira da TV BRICS.
No Brasil, o desenvolvimento de tecnologias baseadas em RNA mensageiro (mRNA) também segue avançando. O Ministério da Saúde destinou US$ 210 milhões (cerca de R$ 1,07 bilhão) para a criação de uma plataforma nacional de mRNA. Segundo o órgão, a iniciativa deverá contribuir para o desenvolvimento de medicamentos contra doenças como leishmaniose, tuberculose e câncer, segundo o site do órgão.
Outros países também estão desenvolvendo tecnologias na área de biotecnologia. Na Argentina, cientistas avançaram no diagnóstico da leishmaniose, uma doença tropical transmitida pela picada de mosquitos-palha infectados. A equipe desenvolveu um novo método de diagnóstico em duas etapas, baseado na reação em cadeia da polimerase (PCR). A técnica permite detectar o DNA do parasita e identificar sua espécie, de acordo com informações da BRICSLat, parceira da rede de mídia.