IA tem grande potencial para garantir acesso igualitário à educação de qualidade, afirma especialista
Professor associado da Universidade Airlangga, na Indonésia, falou sobre abordagens flexíveis no ensino
A inteligência artificial tem grande potencial para garantir acesso igualitário à educação de qualidade tanto na Indonésia quanto em outros países do BRICS. A declaração foi feita pelo professor associado do Departamento de Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Airlangga (Indonésia, Surabaia), Probo Darono Yakti, como parte do programa "BRICSdiálogo" da TV BRICS.
Segundo ele, a IA permite personalizar o ensino, adaptando o conteúdo às necessidades individuais e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno. Além disso, reduz a carga sobre os professores, para que possam dedicar mais atenção à interação com os estudantes.
"Para países grandes como Indonésia, Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul, a inteligência artificial é capaz de reduzir a desigualdade no acesso ao conhecimento. As plataformas digitais abrem novas possibilidades para os moradores de regiões remotas", afirmou Yakti.
Paralelamente, ele destacou que as tecnologias devem complementar, e não substituir, os professores. Para a implementação bem-sucedida da IA, são necessários investimentos em infraestrutura digital, capacitação de especialistas, bem como o desenvolvimento de normas éticas e políticas públicas que garantam a alta qualidade da educação.
A Indonésia, por sua vez, pode compartilhar com os países do BRICS sua experiência de unir educação formal e não formal. Segundo o especialista, foi justamente essa abordagem que desempenhou um papel importante na inclusão de alunos adultos e moradores de áreas remotas.
"A experiência da Indonésia mostra que a obtenção de conhecimento nem sempre exige o sistema de aulas e turmas. Abordagens flexíveis são capazes de contribuir significativamente para o desenvolvimento do capital humano e o aumento da mobilidade social", disse ele.
Yakti explicou a diferença entre os dois formatos de ensino. A educação formal é o ensino estruturado em escolas, instituições profissionais e universidades, que seguem o currículo nacional e fornecem qualificações reconhecidas. A não formal abrange centros comunitários, programas de formação profissional, iniciativas de aprendizagem contínua, bem como diversas formas de desenvolvimento de habilidades fora do sistema escolar tradicional.
"Os sistemas educacionais dos países do BRICS devem priorizar o desenvolvimento do pensamento crítico, da alfabetização digital, da criatividade, das habilidades de comunicação, da adaptabilidade e da compreensão intercultural. Isso ajudará as futuras gerações a se adaptarem com sucesso às mudanças tecnológicas e a fortalecerem a cooperação nos países do Sul Global", concluiu.