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Pesquisadores brasileiros realizam expedição científica nas profundezas do Atlântico

Missão estudará formação submarina com cerca de mil quilômetros de extensão

  • Fonte da imagem: S_Bachstroem / iStock

Uma expedição científica brasileira partiu de Fortaleza, no Ceará, rumo à Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina com cerca de mil quilômetros de extensão, localizada entre a costa nordeste do Brasil e o oeste do continente africano. Durante a missão, os pesquisadores mapearão o fundo do oceano e investigarão comunidades marinhas em profundidades de até 4,5 mil metros, informou a Agência Brasil.

Denominada The Gap, a expedição concentrará os trabalhos em duas áreas distintas da formação, composta por uma sequência de montanhas e vales submarinos. Além de ampliar o conhecimento sobre uma região ainda pouco estudada do planeta, a equipe pretende coletar amostras de rochas e de organismos que vivem nas paredes e nos habitats do fundo oceânico.

Um dos principais focos da pesquisa será a ressurgência equatorial, fenômeno caracterizado pela ascensão de águas mais frias e ricas em nutrientes às camadas superiores do oceano. Esse processo favorece a proliferação de organismos microscópicos que constituem a base da cadeia alimentar marinha. A partir desse fenômeno, os cientistas buscarão compreender como a produtividade das camadas superficiais se relaciona com a vida nas regiões profundas.

A equipe também analisará a dinâmica das correntes e as características dos habitats existentes no fundo do oceano. Segundo o professor José Angel Perez, que lidera a expedição, compreender essas relações é especialmente relevante porque cerca de 70% da crosta terrestre está situada em regiões de oceano profundo, enquanto menos de 1% dessa área é conhecida. Os dados coletados poderão subsidiar pesquisas futuras e ampliar o conhecimento sobre a importância da conservação desses ambientes.

As mudanças climáticas também estão entre os aspectos que serão analisados durante a missão. Alterações nos ventos da região podem modificar a dinâmica da ressurgência e, consequentemente, afetar toda a cadeia alimentar marinha. Os pesquisadores observarão ainda os possíveis efeitos associados à acidificação dos oceanos, que, em conjunto com as mudanças climáticas, podem afetar importantes ecossistemas marinhos, incluindo os recifes de corais.

A primeira etapa da expedição consistirá no mapeamento da Zona de Fratura Romanche por meio de uma sonda acústica instalada no navio de pesquisa. Na sequência, um veículo operado remotamente, capaz de alcançar 4,5 mil metros de profundidade, será empregado na exploração dos paredões submarinos e na coleta de amostras.

Nas áreas consideradas mais promissoras, os pesquisadores também utilizarão um submarino autônomo, capaz de se aproximar do fundo e produzir mapas com precisão de centímetros. O procedimento será repetido em uma segunda área de estudo, situada mais próxima da costa africana, permitindo comparar as características dos dois locais investigados.

Os primeiros resultados da expedição deverão ser sistematizados em aproximadamente dois anos. A equipe, que reúne 25 pessoas de cinco nacionalidades, entre professores universitários brasileiros, estudantes, pesquisadores e tripulantes, deverá concluir a expedição com o desembarque em Gana no final de outubro.