Rais do Tartaristão, Rustam Minnikhanov: "Temos interesse em desenvolver a cooperação com o BRICS e os países do Sudeste Asiático, do mundo islâmico e da América Latina"
Em entrevista exclusiva à TV BRICS, Minnikhanov comenta o fortalecimento dos vínculos com parceiros estrangeiros, a atratividade da república para investimentos e a implementação de projetos conjuntos
— Rustam Minnikhanov, em 2024, Kazan sediou a Cúpula do BRICS, que se tornou um dos maiores eventos da história do grupo. Na ocasião, delegações de 36 países chegaram à capital do Tartaristão. Como a cúpula influenciou o clima de investimentos da república e quais projetos com a participação dos países do BRICS estão sendo implementados atualmente?
— A realização da Cúpula do BRICS em Kazan foi um acontecimento de grande importância, que aumentou significativamente o prestígio e a atratividade do Tartaristão para investimentos estrangeiros, inclusive provenientes dos países-membros do grupo.
A China continua sendo o maior parceiro comercial do Tartaristão. No ano passado, nosso intercâmbio comercial superou US$ 3,3 bilhões (сerca de R$ 17 bi). Nos últimos anos, o país tornou-se o principal investidor estrangeiro na economia da república. A participação da China na estrutura dos investimentos estrangeiros chegou a 62% no ano passado. Nossos parceiros estão desenvolvendo, em Naberejnie Tchelni, uma unidade de produção de eletrodomésticos de alta tecnologia. Atualmente, seis fábricas modernas já entraram em operação.
O maior complexo logístico da Rússia, que leva o nome de Deng Xiaoping e é voltado para o transporte de contêineres entre a Rússia e a China, também funciona com sucesso.
As relações econômicas com os parceiros indianos estão se desenvolvendo ativamente. Em 2025, nosso intercâmbio comercial totalizou US$ 353 milhões (R$ 1,81 bi). No ano passado, o Tartaristão exportou para a Índia mais de US$ 56 milhões (R$ 286,72 mi) em produtos agroindustriais. A Índia responde por 10,5% das exportações agrícolas da república. Após a Cúpula do BRICS, foi tomada a decisão de abrir um Consulado Geral da Índia em Kazan e uma Representação Comercial e Econômica do Tartaristão em Nova Délhi.
O Tartaristão também contribui significativamente para o fortalecimento das relações entre a Rússia e o Egito. O volume de nosso intercâmbio comercial é uma clara demonstração disso. Desde 2020, ele aumentou mais de 8,5 vezes e, no ano passado, alcançou US$ 230 milhões (R$ 1,18 bi). Projetos conjuntos também estão sendo desenvolvidos. No Cairo, por exemplo, já está em atuação uma filial da Universidade Federal de Kazan.
Infelizmente, o potencial de cooperação com os países-membros do BRICS ainda está longe de ser plenamente aproveitado. Convidamos nossos parceiros a participar de iniciativas conjuntas nos setores industrial, logístico e de investimentos.
— Em 2025, o comércio exterior do Tartaristão totalizou US$ 14,5 bilhões (cerca de R$ 74 bi). Ao mesmo tempo, o intercâmbio comercial com a China superou US$ 3,3 bilhões, enquanto o comércio com o Egito cresceu 8,5 vezes em cinco anos, atingindo US$ 230 milhões. Como o Tartaristão consegue fortalecer a interação da Rússia com os países do BRICS e o que torna a república atraente para os parceiros estrangeiros?
— O Tartaristão é uma república em desenvolvimento dinâmico, que combina tecnologias avançadas, uma sólida base industrial e abertura à cooperação internacional. Temos orgulho de nossos resultados nas áreas de petroquímica, engenharia mecânica, agricultura, tecnologia da informação e em outros setores. A república produz bens competitivos, procurados muito além das fronteiras da Rússia.
Uma das tarefas prioritárias da república é atrair investidores. O Tartaristão, ao lado de Moscou, ocupa o primeiro lugar no Ranking Nacional do Clima de Investimentos.
Criamos uma poderosa infraestrutura industrial. Estão em funcionamento as Zonas Econômicas Especiais de Alabuga e Innopolis, bem como a nova Zona Econômica Especial Vale Verde. O Tartaristão conta ainda com cinco territórios de desenvolvimento prioritário e mais de 100 parques e plataformas industriais, nos quais atuam mais de 1,7 mil empresas residentes. Cerca de 70 mil pessoas trabalham nessas unidades de produção.
A indústria petrolífera constitui uma base sólida para a economia do Tartaristão. A república possui setores desenvolvidos de refino de petróleo e petroquímica e produz automóveis, aviões, helicópteros, embarcações, equipamentos de engenharia mecânica e outros produtos.
Somos plenamente autossuficientes nos principais tipos de produtos agrícolas. Também desenvolvemos ativamente a indústria halal e exportamos nossos produtos. O Tartaristão é reconhecido como líder na digitalização de todos os setores da economia.
Além disso, a república possui uma infraestrutura de transportes desenvolvida, o que também favorece a cooperação internacional.
Um dos instrumentos importantes do trabalho com parceiros estrangeiros são os grandes eventos que realizamos anualmente no Tartaristão. Entre eles estão o Fórum Econômico Internacional "Rússia – Mundo Islâmico: KazanForum", o Fórum de Cooperação Russo-Chinesa ROSTKI, o Fórum Empresarial "TIME: Rússia – Índia" e vários outros.
Temos interesse em desenvolver a cooperação tanto com os países do BRICS quanto aqueles do Sudeste Asiático, do mundo islâmico e da América Latina.
— Kazan vem desenvolvendo ativamente a cooperação com universidades dos países do BRICS. Desde 2023, por exemplo, já atua no Cairo uma filial da Universidade Federal de Kazan, aberta por decreto do presidente egípcio. Quais programas educacionais e pesquisas científicas conjuntas já foram lançados e o que está previsto para o futuro? Por que, em sua opinião, é importante desenvolver a cooperação científica? Como o senhor avalia a evolução do número de estudantes da Índia, China, Brasil e de outros países nas universidades do Tartaristão?
— Antes de tudo, somos gratos à liderança egípcia pela atenção e pelo apoio a esse projeto. A filial da Universidade Federal de Kazan no Cairo funciona com sucesso há três anos. Atualmente, mais de 2 mil estudantes do Egito, Síria, Jordânia e Sudão estudam na instituição.
A filial oferece formação em três cursos: Medicina, Odontologia e Farmácia. No novo ano acadêmico, está previsto o lançamento de outros dois programas ministrados em inglês, em especialidades de alta demanda nas áreas da medicina e da inteligência artificial, bem como a inauguração de um novo complexo de edifícios.
Temos interesse em desenvolver programas de mobilidade acadêmica com os países do BRICS. Atualmente, o Tartaristão é um polo de atração para jovens talentosos de todo o mundo. Mais de 20 mil estrangeiros estudam nas instituições de ensino superior da república. Tradicionalmente, há um grande número de estudantes da China (2.045) e da Índia (1.197). Isso demonstra a profunda integração dos sistemas educacionais de nossos países e a implementação bem-sucedida dos programas de intercâmbio.
Além disso, a presença de estudantes da África do Sul e da Indonésia, assim como os planos de ampliar a mobilidade acadêmica com o Egito e os Emirados Árabes Unidos, mostram que o Tartaristão atrai com sucesso talentos de diferentes regiões do Sul Global.
Temos interesse em continuar desenvolvendo a cooperação científica, educacional e tecnológica com os países do BRICS, criando centros conjuntos de pesquisa, ampliando os intercâmbios acadêmicos e implementando projetos avançados na área da inovação.
— Rustam Minnikhanov, em 2026, Kazan recebeu o status de Capital Cultural do Mundo Islâmico. Trata-se de um importante reconhecimento do papel da cidade como centro de cooperação humanitária internacional e ponto de encontro das tradições culturais ocidentais e orientais. Como estão se desenvolvendo os vínculos econômicos e humanitários entre o Tartaristão e os países do BRICS graças à participação da Rússia na Organização para a Cooperação Islâmica?
— Atualmente, cerca de 20 milhões de muçulmanos vivem na Rússia, sendo mais de 2 milhões deles em nossa república. Isso faz do Tartaristão e de sua capital milenar um dos principais centros de preservação e desenvolvimento da cultura islâmica.
O status de Capital Cultural do Mundo Islâmico concedido a Kazan confirma que o Tartaristão atua como um elo entre a Rússia e os países muçulmanos.
A participação da Rússia na Organização para a Cooperação Islâmica permitiu que Kazan se tornasse uma das principais plataformas de diálogo com os Estados-membros da organização. Todos os anos, representantes de mais de 100 países reúnem-se no Fórum Econômico Internacional "Rússia – Mundo Islâmico: KazanForum". A programação empresarial do fórum abrange áreas fundamentais de cooperação, incluindo comércio, finanças islâmicas, indústria halal, investimentos, turismo, educação, cultura e projetos voltados para a juventude.
É particularmente importante que o BRICS conte atualmente com grandes países islâmicos, como Irã, Egito e Emirados Árabes Unidos. Mantemos com esses Estados uma cooperação estreita e de longa data.
Também defendemos o aprofundamento da cooperação com a Indonésia. Conhecemos bem o país e algumas de suas regiões. Diversas empresas do Tartaristão já possuem experiência de trabalho com parceiros indonésios.
Com base nisso, o Tartaristão fortalece de maneira consistente os vínculos econômicos e humanitários com os países do BRICS. Kazan consolida-se cada vez mais não apenas como um centro cultural, mas também como um espaço de negociações práticas, no qual a diplomacia se transforma em cooperação econômica concreta.
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