Cientistas da China e do Egito desenvolvem nova variedade de tilápia resistente à salinidade
Projeto conjunto busca aumentar produtividade da aquicultura e aproveitar águas salobras de forma mais eficiente
Cientistas da China e do Egito desenvolveram uma nova variedade de tilápia resistente à salinidade e com maior velocidade de crescimento. O avanço é resultado de um projeto conjunto entre o Centro de Pesquisa de Pesca de Água Doce da Academia de Ciências Pesqueiras da China e a Universidade do Canal de Suez. A informação foi divulgada pelo China Daily, parceiro da TV BRICS.
O projeto tem como objetivo melhorar o aproveitamento das águas salobras do Egito e aumentar a produtividade da criação de tilápias. O país está entre os maiores produtores mundiais da espécie, mas grande parte da produção ainda é realizada em água doce.
"As regiões costeiras e as fazendas localizadas em áreas desérticas enfrentam o problema do aumento progressivo da salinização do solo e da elevação da salinidade da água. A nova variedade resistente à salinidade está sendo testada em áreas agrícolas do Egito que utilizam águas salobras, para avaliar seu desempenho em condições reais", afirmou Mohamed Fekri, professor associado do Instituto de Aquicultura e Tecnologias da Universidade do Canal de Suez.
Segundo Qiang Jun, diretor de pesquisa científica do centro chinês, a China possui experiência no melhoramento genético de tilápias, enquanto o Egito conta com recursos de águas salobras. Em vez de simplesmente transferir tecnologias chinesas, os pesquisadores desenvolveram uma nova variedade adaptada especificamente às condições egípcias.
Os cientistas analisaram nove populações de tilápia em regiões com águas salobras e identificaram três variedades na cidade de Porto Said, na costa do Mar Mediterrâneo. Por meio de estudos de associação genômica ampla, os especialistas chineses encontraram marcadores genéticos relacionados à resistência à salinidade e ao crescimento acelerado.
Atualmente, a nova variedade vermelha de tilápia resistente à salinidade está na terceira geração de seleção genética. Em testes realizados em água com salinidade de 15 a 20 partes por mil, o peso médio dos peixes foi 25,1% superior ao de populações não selecionadas, enquanto a taxa de sobrevivência aumentou de 74,1% para 87,7%.
Equipes conjuntas de pesquisadores visitaram empresas de piscicultura dos dois países para coletar dados e oferecer apoio técnico. O projeto inclui não apenas o desenvolvimento de novas variedades, mas também a criação de plantéis reprodutores e sistemas de seleção genética no Egito para fortalecer a base local de melhoramento.
Os pesquisadores chineses também estudam a possibilidade de aplicar no Egito tecnologias de sistemas de recirculação de água, considerando as características climáticas e os recursos disponíveis no país. Os parceiros planejam criar um laboratório conjunto para a conservação e utilização de recursos genéticos de tilápia na bacia do rio Nilo.
No futuro, a cooperação poderá ser ampliada para áreas como aquicultura marinha, incubadoras inteligentes e produção local de equipamentos. Durante o projeto, quatro estudantes egípcios de pós-graduação foram treinados, sendo que dois deles continuam seus estudos de doutorado na China. Além disso, 20 produtores receberam capacitação e foram realizadas 475 consultas técnicas sobre gestão da qualidade da água, produção de alevinos e prevenção de doenças.