Cientistas chineses encontram fósseis que revelam evolução dos animais antes do Cambriano
Descoberta traz evidências sobre o surgimento dos primeiros organismos complexos e a origem dos vertebrados
Um grupo de cientistas chineses descobriu fósseis de animais multicelulares excepcionalmente bem preservados em camadas geológicas do período Ediacarano, no leste da província de Yunnan. O achado indica que comunidades animais complexas já existiam nos oceanos muito antes da chamada explosão cambriana, informou a Xinhua News Agency, parceira da TV BRICS.
Por meio de técnicas avançadas de obtenção de imagens, os pesquisadores identificaram diversas formas de vida primitiva, incluindo organismos semelhantes a vermes considerados alguns dos primeiros animais com simetria bilateral. Essas criaturas já apresentavam estruturas básicas, como cabeça e tubo digestivo, e eram capazes de se locomover.
Os cientistas também encontraram fósseis de deuterostômios, grupo que posteriormente deu origem aos cordados, entre os quais estão os vertebrados. A semelhança desses organismos com fósseis de conhecidos sítios do período Cambriano sugere que esses grupos já estavam presentes durante o Ediacarano.
A descoberta pode ajudar a esclarecer um dos grandes enigmas da biologia evolutiva, conhecido como "dilema de Darwin". Em "A origem das espécies", Charles Darwin apontou que a escassez de fósseis de animais do Pré-Cambriano representava um desafio para a teoria da evolução gradual. Organismos complexos parecem ter surgido de forma repentina durante o Cambriano, enquanto seus ancestrais são difíceis de identificar.
Segundo Cong Peiyun, pesquisador da Universidade de Yunnan, os novos fósseis reforçam a hipótese de que esse surgimento aparentemente repentino pode estar relacionado a um registro fóssil incompleto.
O leste de Yunnan é considerado um dos principais centros mundiais de pesquisa sobre a transição entre os períodos Ediacarano e Cambriano. Cientistas chineses realizam estudos de campo na região desde 2017 e já descobriram diversos novos sítios e espécimes.
Pesquisas paleontológicas também registram avanços importantes em outros países do BRICS.
No Brasil, uma equipe de pesquisadores brasileiros e internacionais identificou uma nova espécie de peixe fóssil, Leolepis matogrossensis, com cerca de 254 milhões de anos. O exemplar foi encontrado no estado de Mato Grosso, próximo ao cráter de Araguainha, e se destaca pelo excelente estado de conservação, segundo informou o Metrópoles, parceiro da TV BRICS.
A espécie pertence aos antigos actinopterígios, grupo que atualmente reúne cerca de 96% dos peixes ósseos, incluindo atum, salmão e bacalhau. Os pesquisadores acreditam que o animal vivia em um antigo megalago quando a América do Sul e a África ainda faziam parte do supercontinente Gondwana. O fóssil fornece informações sobre os ecossistemas existentes pouco antes da grande extinção em massa ocorrida há cerca de 252 milhões de anos.
Pesquisadores da Universidade do Cairo, no Egito, descobriram uma importante concentração de fósseis de tubarões em Abu Tartur, no deserto ocidental do país. De acordo com o Sada El-Balad, parceiro da TV BRICS, os restos têm mais de 70 milhões de anos e pertencem a sete espécies de cinco gêneros diferentes.
Os fósseis foram encontrados em camadas da Formação Duwi, que durante o Cretáceo Superior estavam cobertas por um mar quente e rico em nutrientes. O conjunto de vestígios revela a existência de um ecossistema marinho diversificado, onde conviviam pequenos peixes, predadores de médio porte e grandes tubarões. Alguns exemplarespoderiam atingir cerca de 6,7 metros de comprimento.