Transição energética no BRICS: ambições climáticas e realidade dos combustíveis fósseis
O que prevalecerá: as ambições climáticas ou a dependência dos combustíveis fósseis? Quando e sob quais condições a transição energética será viável? Descubra na matéria da TV BRICS
Os países do BRICS, especialmente a Índia e a China, estão investindo ativamente em fontes de energia renováveis, mas continuam a depender dos combustíveis tradicionais — os hidrocarbonetos. Especialistas apontam essa situação como um paradoxo na gestão climática. Sendo as maiores potências energéticas, responsáveis por cerca de metade do consumo e da produção de energia mundial, as nações do BRICS enfrentam o desafio de equilibrar o uso de combustíveis fósseis com fontes renováveis de energia.
BRICS como epicentro da energia global
O BRICS reúne países que não só representam uma grande parte do território mundial, mas também do mercado energético global. A adesão de grandes produtores de petróleo, como o Irã e os Emirados Árabes Unidos, a participação ativa da Arábia Saudita e a presença de grandes importadores como a China e a Índia fazem do BRICS uma estrutura que integra o setor energético mundial. Isso fortalece o papel do grupo como regulador do mercado global de petróleo, especialmente considerando que a Rússia também é uma das principais produtoras de petróleo e gás, e, junto com a China, a Índia e a África do Sul, está entre os maiores fornecedores de carvão.
No entanto, os países do BRICS estão investindo em fontes de energia renováveis, com planos de triplicar sua capacidade até 2030. O progresso tecnológico na energia verde, especialmente na China, e os planos ambiciosos de outras nações tornam essa meta plenamente alcançável. Ainda assim, a situação no mercado energético do BRICS é paradoxal: de um lado, as ambições climáticas; do outro, as crescentes necessidades energéticas e, como resultado, a dependência de hidrocarbonetos.
"Com a expansão do BRICS, que inclui países com diferentes programas econômicos e energéticos, como a África do Sul, a Índia, a China e a Rússia, fica evidente o paradoxo central da governança climática global — a dificuldade de conciliar o desenvolvimento econômico com a urgente necessidade de descarbonização. A análise dos perfis energéticos desses países mostra uma forte dependência histórica dos combustíveis fósseis, enquanto o investimento em fontes renováveis cresce, tornando a transição energética uma tarefa complicada", explica, em entrevista à TV BRICS, Gabriela de Fátima Cia, especialista em desenvolvimento sustentável, cooperação ambiental internacional, gestão de recursos hídricos e ecossistemas florestais, membra da BRICS Student Commission e coordenadora do Secretariado da Juventude do Centro de Integração e Cooperação Rússia – América Latina (CICRAL).
É importante destacar que os membros do BRICS lideram não apenas na produção e consumo de energia, mas também nas emissões de gases de efeito estufa. Por isso, a velocidade de implementação das fontes renováveis nos países do grupo é crucial para alcançar as metas climáticas. Contudo, os papéis dos países-membros variam consideravelmente.
"A China e a Índia são líderes mundiais no aumento absoluto da capacidade de fontes renováveis, mas continuam sendo os maiores consumidores de carvão. O Brasil possui um dos balanços energéticos mais baixos em carbono. A Rússia e a África do Sul, apesar de seus esforços no desenvolvimento de recursos renováveis, ainda dependem consideravelmente de fontes de energia tradicionais", comenta Nelli Semionova, doutora em ciências políticas e pesquisadora sênior do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia.
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Retrato energético: do carvão ao átomo
A transição energética já é uma prioridade para os países do BRICS, como mostram as declarações dos líderes e os comunicados das reuniões dos ministros de Energia. No entanto, os membros do grupo ressaltam que a base de uma transição energética justa é a independência e a liberdade de escolha dos caminhos a seguir. Cada país tem a autonomia para definir seu equilíbrio energético e desenvolver sua infraestrutura, levando em conta suas características e prioridades nacionais. Por isso, as nações do BRICS utilizam todos os recursos e tecnologias energéticas disponíveis.
Brasil e equilíbrio de baixo carbono
O Brasil é uma das principais potências energéticas globais, com uma combinação única de recursos de petróleo, gás e fontes renováveis. De acordo com especialistas, cerca de 90% da eletricidade do Brasil provém de fontes renováveis. No total, mais da metade do balanço energético do país é composto por fontes renováveis, com destaque para as hidrelétricas e o biocombustível. Juntas, essas fontes representam 44% do balanço energético, de acordo com a pesquisa de 2024 "Transição energética justa nos países do BRICS". A principal biomassa do Brasil vem da cana-de-açúcar, utilizada tanto para a geração de energia elétrica quanto para a produção de etanol.
No entanto, a energia proveniente do petróleo e seus derivados ainda ocupa uma parte significativa do balanço energético brasileiro, com 36%. Em 2023, a produção de petróleo no Brasil foi de 198 milhões de metros cúbicos, ou 176 milhões de toneladas de óleo equivalente. Aproximadamente 47% desse volume foi destinado à exportação. Em 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico na produção de petróleo e gás, com o crescimento sendo impulsionado pelos campos de petróleo em águas profundas, que responderam por mais de 80% da produção nacional. O volume alcançou 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia, um aumento de 13,3% em relação ao ano anterior, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A informação foi divulgada pela Safras News, parceira da TV BRICS.
"Com uma matriz energética historicamente mais limpa, baseada em hidrelétricas e biocombustíveis, o Brasil tem o potencial de liderar a transição energética", afirma Gabriela de Fátima Cia, especialista em sustentabilidade e energia.
O Brasil é frequentemente citado como líder mundial na geração de energia limpa. As políticas públicas do país buscam equilibrar os benefícios econômicos dos combustíveis fósseis com os objetivos de descarbonização e desenvolvimento sustentável.
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China e novos desafios no desenvolvimento de energias renováveis
A China fechou 2025 com um recorde na expansão de sua rede energética. A capacidade instalada das usinas no país atingiu 3,89 TW até o final do ano, conforme dados da Xinhua News Agency, parceira da TV BRICS. Isso representa um aumento de mais de 16% em relação a 2024, com um crescimento de 540 GW em apenas um ano. Nenhuma outra grande economia obteve aumento de capacidade em escala comparável. A maior parte desse crescimento foi impulsionada pelas energias renováveis, com a instalação de mais de 430 GW de novas usinas solares e eólicas, elevando a capacidade total dessas fontes para mais de 1,8 TW.
A capacidade de energia solar atingiu 1,2 TW, com um aumento superior a 35% em relação a 2024. Já a capacidade da energia eólica, impulsionada pelos projetos terrestres e offshore, cresceu para 640 GW, um aumento de 22,9%. Os investimentos em energia eólica terrestre, por exemplo, aumentaram quase 50% ao longo do ano.
Os investimentos gerais em projetos energéticos alcançaram um nível sem precedentes de 3,5 trilhões de yuans (aproximadamente R$ 2,6 trilhões). No entanto, esses investimentos não se limitaram às fontes limpas. Também houve um aumento no gasto com carvão, hidrelétricas e mineração de carvão, refletindo a preocupação com a segurança e a confiabilidade do fornecimento de energia.
Especialistas concordam que a China fez avanços significativos no desenvolvimento de sua capacidade de geração e na adoção de tecnologias limpas e de baixo carbono, além de inovações no setor energético. Em 2023, a produção de energia primária no país foi de 4,8 bilhões de toneladas de equivalente carvão. Isso ocorreu em um contexto de transição acelerada para uma matriz energética mais verde e de baixo carbono. No mesmo ano, a capacidade instalada total de energias renováveis na China atingiu 1,5 mil GW, incluindo hidrelétricas, solar e eólica, representando mais de 50% da capacidade total instalada. A energia solar correspondeu a 610 GW (um aumento de 55,2% em relação ao ano anterior), enquanto a energia eólica atingiu 440 GW (um crescimento de mais de 20%). Nesse cenário, a participação do carvão no consumo total de energia diminuiu 0,7%, enquanto o consumo de energia verde aumentou 0,4%.
"A China se tornou o principal motor da transição energética global em termos de escala e investimentos. Embora seja o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, o país lidera a implementação de tecnologias renováveis e estabeleceu metas ambiciosas: atingir o pico de emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060", afirmou Gabriela de Fátima Cia, especialista em sustentabilidade, em entrevista à TV BRICS.
Apesar dos avanços, a situação continua ambígua. O problema não está apenas no fato de que o carvão ainda desempenha um papel central na matriz energética da China, representando mais de 55% do consumo de energia primária. O desafio é que a geração de energia renovável e seu consumo são indicadores distintos. Esse ponto foi destacado por Viktoria Perskaia, doutora em economia e diretora do Instituto de Estudos de Relações Econômicas Internacionais da Universidade Financeira do Governo Russo, em entrevista à TV BRICS.
"É bem conhecido que a expansão da infraestrutura energética nas províncias de Qinghai e Henan, onde estão localizadas grandes usinas de energias renováveis, enfrenta dificuldades. É preciso desenvolver a infraestrutura para transportar a energia até os consumidores. Hoje, as perdas de energia provenientes de fontes renováveis aumentaram mais do que o dobro (para 6,6% na energia eólica e 5,7% na solar) em comparação com 2024 devido a gargalos na rede elétrica. Além disso, os custos e o tempo necessários para resolver esses gargalos e modernizar as redes elétricas superam significativamente os custos e prazos de desenvolvimento das capacidades de geração de energia renovável", explicou Perskaia.
A prática da China revelou um problema importante no desenvolvimento de fontes de energia renovável, não apenas no país, mas também em todo o mundo.
"Se antes se falava do alto custo para desenvolver a capacidade de geração de energia renovável, hoje, com o aumento da participação dessas fontes na matriz energética, é necessário destacar o crescimento desproporcional dos custos para desenvolver as redes elétricas e a capacidade de armazenamento de energia", conclui Fiodor Arjaev, economista e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Universidade Financeira do Governo Russo.
Índia: 3º maior consumidor de energia do mundo
Com uma população superior a 1,4 bilhão de pessoas, a Índia é a terceira maior consumidora de energia do mundo. Diante da crescente demanda por energia, o país tem se concentrado cada vez mais em fontes renováveis. De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a Índia já ocupa o quarto lugar global em capacidade instalada de fontes renováveis. O principal foco do país é a energia solar, mas a Associação de Desenvolvimento de Energias Renováveis também destaca o grande potencial da Índia para expandir a energia eólica, hidrelétrica e bioenergia, devido à sua localização geográfica e condições climáticas favoráveis.
A Índia estabeleceu metas ambiciosas para 2030: aumentar a capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis para 500 GW, reduzir a intensidade das emissões em 45% e alcançar 50% da capacidade elétrica total proveniente de fontes não fósseis.
No entanto, conforme especialistas, a Índia ainda está atrás de países como o Brasil e a China no desenvolvimento de energia limpa e pode enfrentar desafios técnicos.
"Embora a Índia tenha objetivos ambiciosos, ela ainda está atrás da China em termos de escala de implementação, especialmente no desenvolvimento de sua própria cadeia de produção, permanecendo em grande parte dependente da importação de equipamentos", afirma Nelli Semionova, especialista em energia.
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Energia nos outros países do BRICS
Para os países do BRICS, a meta de triplicar a capacidade de fontes de energia renováveis, estabelecida na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, é uma questão não apenas de preservação dos ecossistemas globais, mas também de desenvolvimento de novas fontes de energia. No entanto, muitos países em desenvolvimento enfrentam a falta de financiamento, já que 90% dos investimentos estão concentrados em países desenvolvidos e na China. Além disso, um dos principais obstáculos para uma transição acelerada na maioria dos países do BRICS é a dependência estrutural de carvão e gás natural.
"O carvão continua sendo essencial para a segurança energética, a acessibilidade dos preços de energia e a estabilidade social nas regiões produtoras. O gás é visto como um combustível de transição necessário para garantir a flexibilidade dos sistemas energéticos na integração de fontes variáveis de energia renovável. Essa dependência resulta em um modelo gradual de transição, evolutivo e não revolucionário, onde o aumento da geração de energia renovável não substitui imediatamente as fontes tradicionais, mas muitas vezes leva a um aumento geral no consumo de recursos energéticos", explicou Nelli Semionova, especialista em energia.
A estratégia energética da Rússia até 2050, adotada em 2025, prioriza fontes tradicionais — petróleo, gás, carvão e energia nuclear. Embora a geração solar e eólica seja mencionada como parte da diversificação do balanço energético, não há metas específicas para o seu desenvolvimento. Especialistas estimam que, até 2050, a energia solar e eólica poderão representar cerca de 10% do balanço energético do país.
A Indonésia, em 2023, entrou para o grupo das cinco maiores nações em termos de geração de energia a partir de carvão. A produção de eletricidade a partir de usinas de carvão aumentou 74% entre 2015 e 2023, alcançando 217 terawatts-hora.
A África do Sul, em 2025, anunciou planos para reativar o programa de reatores nucleares modulares e aumentar a participação da geração de energia a gás. De acordo com o plano de recursos atualizado, até 2042, serão investidos 2,23 trilhões de rands (aproximadamente R$ 580 bilhões) na infraestrutura energética do país. Contudo, o carvão continua dominando o fornecimento de energia primária, representando 70% do consumo total em 2023.
O Irã, um dos maiores fornecedores de petróleo e gás do mundo, tem o petróleo como elemento central em seu balanço energético (72,06%). No entanto, o país também possui grande potencial em energias renováveis, especialmente em fontes de energia solar, eólica e hidrelétrica.
A Etiópia, apesar de ter uma participação insignificante nas emissões globais de dióxido de carbono, ainda enfrenta um dos menores níveis de acesso a serviços modernos de energia no mundo. Mais de 56 milhões de pessoas (46% da população) não têm acesso à eletricidade, com a biomassa permanecendo a principal fonte de energia do país. Em 2019-2020, a madeira e o carvão vegetal representaram 86% do consumo energético total.
A estratégia de desenvolvimento do Egito até 2030 visa garantir uma segurança energética diversificada. O país possui grande potencial para a produção de energia limpa, especialmente a partir da energia hídrica proveniente da represa de Aswan. Ao mesmo tempo, o Egito é o maior produtor de petróleo e gás da África, e essa produção cobre a maior parte das necessidades energéticas internas do país.
Iniciativas verdes no BRICS
Especialistas afirmam que a eficácia dos investimentos verdes é plenamente alcançada quando o financiamento ultrapassa 2% do PIB. Nos países do BRICS, esse indicador ainda é relativamente baixo, com uma média de 0,8%. A participação dos países em desenvolvimento nas investigações globais também é modesta, representando cerca de 15% dos investimentos globais em ativos verdes. Portanto, para implementar os princípios das declarações do BRICS e atingir suas metas climáticas nacionais, os países-membros precisam aumentar os investimentos na economia verde.
Superar a infraestrutura deficiente dos institutos financeiros, que limita o acesso a crédito verde, é uma das missões do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). Em 2023, o NBD anunciou a alocação de US$ 35 bilhões (aproximadamente R$ 182 bilhões) para iniciativas climáticas. Desde então, o portfólio de projetos do banco foi expandido, incluindo iniciativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, à ecologia e à economia de baixo carbono. Um exemplo notável é o acordo de crédito de US$ 100 milhões (mais de R$ 520 milhões) para projetos em Xangai, voltados para energia limpa e infraestrutura digital, conforme relatado pela Xinhua News Agency.
Especialistas também sugerem que uma ferramenta eficaz para mobilizar investimentos dentro do BRICS poderia ser a emissão de produtos financeiros verdes certificados, como as obrigações verdes. A colaboração na criação e disseminação desses produtos deve ser conduzida pelos institutos financeiros do BRICS, com foco na harmonização e no reconhecimento mútuo dos padrões de projetos verdes, além das exigências de transparência e divulgação de informações a nível de projeto e produto. Isso pode ser um passo importante para concretizar os objetivos do BRICS na transição para uma economia de baixo carbono, além de ajudar a cumprir os compromissos internacionais nessa área.
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Futuro e perspectivas da transição energética no BRICS
Apesar dos esforços contínuos para desenvolver fontes de energia renováveis, os hidrocarbonetos ainda representam 80% do balanço global de energia e combustíveis. Nos últimos dez anos, o consumo de eletricidade no mundo tem crescido. Segundo as previsões, a alta demanda por petróleo e gás deve continuar até 2050.
"As fontes renováveis de energia também mostram uma tendência positiva, incluindo o aumento no número de projetos de investimento em andamento. O crescimento anual médio das energias limpas até 2050 é estimado em 4%, e sua participação no consumo global subiu de 20% nas décadas de 2000 para 30% em 2025. No entanto, isso não significa que, no futuro, as fontes renováveis substituirão os combustíveis fósseis ou que os países desenvolvidos conseguirão reduzir significativamente a dependência de importações de recursos minerais", afirmou, em entrevista à TV BRICS, Tural Natig ogly Mamedov, doutor em economia e pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Relações Econômicas Internacionais da Universidade Financeira do Governo Russo.
Ao mesmo tempo, a energia verde continua desempenhando um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, seu desenvolvimento depende de algumas condições essenciais. Primeiramente, é necessário um avanço tecnológico e eficiência econômica não apenas na geração de energia renovável, mas também em sistemas integrados que envolvem o armazenamento de energia de longo prazo e sazonal, conforme aponta Nelli Semionova, doutora em ciências políticas e pesquisadora do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia. Além disso, é essencial uma transformação estrutural nas economias dependentes da exportação de hidrocarbonetos (como a Rússia) ou do consumo interno de carvão (como na África do Sul, Índia e China). Para evitar que a transição crie uma nova dependência tecnológica, os países precisam garantir acesso soberano às cadeias produtivas de equipamentos para fontes renováveis e minerais críticos.
Dessa forma, muitos especialistas concordam que, no futuro próximo, a perspectiva e o interesse pelos hidrocarbonetos continuarão coexistindo com a tendência de longo prazo em direção à descarbonização. Portanto, o cenário mais realista para o BRICS não é a substituição total, mas o desenvolvimento de sistemas energéticos híbridos, nos quais o aumento da participação das fontes renováveis será combinado com a manutenção de um papel significativo do gás natural como combustível de transição e fonte de flexibilidade. Em alguns casos, a alternativa mais viável para substituir os hidrocarbonetos será o desenvolvimento da energia nuclear.
O artigo foi elaborado por Svetlana Christoforova.