Ministro etíope propõe cadeia africana de produção de veículos elétricos
Países da África devem ampliar a fabricação local em vez de depender de importações, afirma Alemu Sime
A transição da África para o transporte elétrico deve impulsionar o desenvolvimento industrial, em vez de transformar o continente em um mercado para produtos importados. A avaliação é do ministro dos Transportes e Logística da Etiópia, Alemu Sime, segundo informações da ENA, parceira da TV BRICS.
Para o ministro, os países africanos precisam participar de toda a cadeia de valor do transporte elétrico. Isso inclui ampliar a montagem e a produção locais, desenvolver competências em engenharia e software, investir em pesquisa e desenvolvimento e criar sistemas para gestão, reutilização e reciclagem de baterias.
"Acima de tudo, devemos garantir que a transição da África para o transporte elétrico se torne um motor do desenvolvimento industrial, e não apenas mais um mercado para produtos importados", afirmou.
Segundo ele, o futuro da mobilidade elétrica no continente deve ser desenvolvido para as instituições, os jovens e as comunidades africanas, com a participação desses grupos em sua construção.
No caso da Etiópia, o potencial de geração de energia renovável oferece uma base para essa transformação. Para o ministro, a ampliação dessas fontes pode reduzir a dependência de produtos petrolíferos importados, melhorar a qualidade do ar nas cidades, estimular a criação de setores e empregos verdes e contribuir para o cumprimento dos compromissos climáticos do país.
Alemu ressaltou, porém, que a mudança não deve se limitar à expansão da frota de veículos elétricos. O avanço do setor exigirá investimentos em infraestrutura de recarga, modernização das redes elétricas, plataformas digitais, produção e manutenção de veículos, além da formação de profissionais especializados.
"Os recursos públicos, por si só, não serão suficientes", afirmou. Ele defende, portanto, uma maior cooperação entre governos, instituições de financiamento ao desenvolvimento, bancos comerciais, investidores e empresas do setor industrial, além do uso de "capital paciente" e mecanismos de compartilhamento de riscos para viabilizar investimentos de longo prazo no transporte elétrico.
Para ampliar a integração regional, Alemu também propôs que os países africanos adotassem normas técnicas, sistemas de recarga, plataformas de pagamento e tecnologias de comunicação comuns. Segundo Alemu, a harmonização desses padrões pode facilitar a mobilidade transfronteiriça, o comércio regional e os investimentos, evitando que o continente se transforme em "um conjunto de mercados de veículos elétricos isolados".
A transição, acrescentou, deve incluir diferentes modalidades de transporte, como automóveis particulares, ônibus elétricos, transporte público, logística urbana, veículos de duas e três rodas e transporte de cargas. Alemu também defendeu investimentos em universidades, instituições de ensino técnico e profissionalizante, centros de pesquisa e parcerias com o setor industrial.