Pesquisadores russos desenvolvem líquido magnético para diagnóstico e tratamento de tumores
Material aquece sob ação de campo magnético e acelera reações semelhantes às de enzimas naturais
Pesquisadores da Universidade Sirius, em colaboração com especialistas de Moscou e de outros países, desenvolveram um líquido magnético à base de água e nanopartículas de óxidos de cobalto e ferro. A informação foi divulgada pela BelTA, parceira da TV BRICS, com base em dados da Fundação Russa de Ciência.
Sob a ação de um campo magnético, o material aquece rapidamente e acelera reações de oxidação semelhantes às realizadas pela enzima natural peroxidase. Essa propriedade permite seu uso no aquecimento seletivo de células tumorais e como uma enzima artificial em análises laboratoriais.
Normalmente, partículas magnéticas tendem a se agrupar e perder suas propriedades. Para evitar esse processo, são utilizados revestimentos químicos que podem tornar os materiais tóxicos para células vivas. Os pesquisadores desenvolveram um método para obter líquidos não tóxicos à base de água e nanopartículas puras, sem a adição de agentes estabilizadores, polímeros ou ácidos. Para melhorar a qualidade das soluções e reduzir a quantidade de impurezas, a equipe utilizou tratamento por ultrassom.
Os resultados mostraram que as soluções mais estáveis foram obtidas quando a quantidade de cobalto nas nanopartículas era entre 2,3 e 9 vezes menor que a de ferro. O maior aumento de temperatura foi observado em partículas com concentração de cobalto entre 6,5 e 9 vezes inferior à de ferro, composição considerada a mais promissora para aplicações no combate a tumores.
Além disso, nanopartículas com maior teor de cobalto podem realizar reações de oxidação com participação de peróxido, semelhantes às promovidas pelas peroxidases naturais. Essa característica pode contribuir para o desenvolvimento de biossensores e sistemas de diagnóstico de doenças oncológicas e infecciosas.
"O material desenvolvido por nós será, naturalmente, de grande interesse principalmente para outros cientistas e profissionais que atuam em engenharia química, ciência dos materiais e nanotecnologia. Soluções altamente estáveis de nanopartículas desse tipo podem ser utilizadas para substituir enzimas de alto custo na criação de biossensores ou agentes de contraste para ressonância magnética", explicou o coordenador do projeto, pesquisador da Universidade Sirius, Andrei Drozdov.
De acordo com os pesquisadores, líquidos magnéticos são cada vez mais utilizados na medicina e na biotecnologia. Essas soluções contêm nanopartículas metálicas ou de óxidos metálicos dispersas em água, capazes de responder a campos magnéticos. A tecnologia permite direcionar partículas pelo organismo para transportar medicamentos e, ao aquecê-las na região de um tumor, destruir células cancerígenas com menor impacto sobre os tecidos saudáveis.