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BRICS prioriza integração entre novos membros e fortalecimento do diálogo com parceiros, afirma chanceler brasileiro

Mauro Vieira comenta consolidação do grupo, papel do NBD e crescimento do comércio às margens da cúpula em Nova Délhi

O BRICS entra em uma fase de consolidação, dando prioridade para a integração dos novos membros e o fortalecimento do diálogo com os países parceiros do grupo. A avaliação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, às margens da Cúpula do BRICS em Nova Délhi, em entrevista exclusiva ao Brasil 247, parceiro da TV BRICS.

Segundo o chanceler, diversos países parceiros já manifestaram interesse em se tornar membros plenos da associação, mas estruturar essa relação entre membros plenos e parceiros é hoje uma etapa essencial para o amadurecimento institucional do BRICS, e o Brasil se mostra disposto em dar apoio a uma futura decisão coletiva de ampliação.

Essa fase, para o ministro, passa também pelo fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento, ou Banco do BRICS, apontado por ele como um dos instrumentos mais concretos do grupo para avançar na reforma das instituições financeiras globais.

"O Banco do BRICS está crescendo e vai se consolidar dentro do espírito do BRICS, que é o de promover uma reforma da governança global. [...] Com ele, vamos ter um sistema muito mais rápido, mais ágil e mais eficiente", afirmou.

Para Vieira, outro ponto fundamental do banco é a possibilidade de oferecer garantias, o que amplia seu poder de ação: em vez de depender apenas de financiamento direto, a instituição passa a atrair capital para cofinanciar grandes projetos.

Essa lógica de cooperação econômica entre os países do Sul Global também se reflete no crescimento do comércio bilateral do Brasil com parceiros estratégicos. Falando sobre as relações Brasil-Índia, o chanceler ressaltou que o comércio entre as duas nações deve atingir US$ 20 bilhões (R$ 102,4 bi) ainda neste ano, um salto de 40% em relação aos US$ 15 bilhões (R$ 76,8 bi) do ano anterior. Essa projeção se enquadra dentro da meta de US$ 30 bilhões (R$ 153,6 bi) até 2030 estabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Esse mesmo movimento de aproximação econômica do Brasil se repete nos países do Sudeste Asiático, uma determinação também estipulada pelo presidente Lula.

"Abrimos uma representação permanente, com um embaixador, em Jacarta [Indonésia], que é o representante junto à Secretaria-Geral da ASEAN. Estabelecemos essa cooperação, nos tornamos parceiros de diálogo setorial da ASEAN e continuamos avançando", disse Vieira.