Cúpula do BRICS na Índia consolida papel do grupo como líder do multilateralismo, diz vice-ministro do MRE da Rússia
Em entrevista exclusiva à TV BRICS, Serguei Riabkov falou sobre a agenda da cúpula, os princípios de atuação do grupo e os projetos conjuntos
A cúpula do BRICS na Índia consolidará o papel do grupo como líder do multilateralismo e como representante dos interesses da maioria global. A declaração foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov, em entrevista exclusiva à TV BRICS.
Segundo ele, isso será possível graças à participação na cúpula de Nova Délhi dos líderes dos países parceiros, além dos chefes de Estado que atualmente presidem organizações regionais do Sul Global e do Oriente.
"Uma aproximação mais ampla dessa comunidade com o BRICS é muito oportuna e necessária. É importante que a presidência indiana tenha realizado um grande trabalho para atrair justamente esse grupo de participantes para a sua cúpula", afirmou.
Segundo Riabkov, o encontro será marcado por novas decisões importantes e por avanços no aprofundamento da cooperação dentro do grupo. O lema da presidência da Índia no BRICS em 2026 é "Construindo para resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade". Esses quatro pilares abrangem três áreas principais: política e segurança, economia e finanças, além da cooperação cultural e humanitária.
"Estamos trabalhando para fortalecer de forma consistente o papel dos países da maioria global e de associações como o BRICS em todas essas áreas", declarou Riabkov.
O vice-ministro destacou que o BRICS é uma organização em rede, sem hierarquia interna. Segundo ele, embora o consenso seja um mecanismo complexo, ele é essencial para preservar a atratividade do grupo. Riabkov chamou atenção ainda para a importância da continuidade: os resultados da presidência russa do BRICS em 2024 devem servir de base para o trabalho que está sendo desenvolvido atualmente.
"Criamos uma base em muitas áreas, e esse trabalho continua agora. Refiro-me principalmente às iniciativas apoiadas por todos os países do BRICS, como a criação de uma iniciativa de pagamentos transfronteiriços, uma infraestrutura de liquidação e depósito, capacidade de resseguro, a Bolsa de Grãos do BRICS e uma nova plataforma de investimentos. [...] Estamos fazendo esforços contínuos para garantir que o trabalho não se limite apenas a declarações", acrescentou.
Segundo Riabkov, o BRICS conta atualmente com mais de 140 projetos. O Novo Banco de Desenvolvimento possui ativos no valor de US$ 140 bilhões (R$ R$ 712,6 bi). O representante russo destacou ainda a expansão dos pagamentos em moedas nacionais e a criação de mecanismos alternativos para financiar projetos. Neste ano, o grupo celebra 20 anos de existência. Ao longo de duas décadas, o número de participantes mais que dobrou e, considerando os países parceiros, quadruplicou.
"Atualmente, o tema da inteligência artificial está muito presente nos debates. Provavelmente ainda é cedo para falar sobre uma aliança completa do BRICS em inteligência artificial, mas não estamos ficando para trás; estamos avançando. [...] Todos os países do BRICS, aproveitando suas capacidades em áreas como o uso pacífico do espaço, a criação de condições favoráveis para ampliar o comércio mútuo e reduzir barreiras, estão consolidando a base da cooperação. Isso também se aplica à saúde pública, ao combate a doenças infecciosas e não infecciosas, além da cooperação científica e educacional, incluindo a Universidade em Rede do BRICS", acrescentou.
Além disso, o vice-ministro avaliou positivamente a presidência da Índia, destacando a realização de centenas de eventos, a ampliação da interação do BRICS com comunidades civis e acadêmicas, o fortalecimento da visibilidade da marca do grupo e o aumento da cooperação com os novos membros do grupo.