BRICS se tornou exemplo de nova forma de cooperação entre países, avalia especialista
Segundo ele, a Rússia, como um dos países fundadores, criou uma estrutura de apoio ao BRICS e ajudou a consolidar uma forma própria de cooperação
A Cúpula do BRICS na Índia, em 2026, deve abordar uma série de questões relacionadas principalmente à cooperação internacional, à governança global e à segurança mundial. A avaliação foi feita por Aleksei Maslov, diretor do Instituto de Estudos da Ásia e África da Universidade Estatal de Moscou Lomonossov, em entrevista exclusiva à TV BRICS.
"O BRICS se tornou uma plataforma muito eficaz e mostrou um novo modelo de cooperação entre países que não estão unidos por um mesmo modelo de desenvolvimento, documentos comuns ou uma moeda única. Mas o mais importante é a relação de igualdade entre os países, sem a criação de uma organização formal. Afinal, o BRICS é uma associação, uma plataforma que trouxe uma série de questões importantes para o debate. [...] Entre elas estão sistemas financeiros alternativos, transferências de recursos e grandes operações de crédito entre países, sem que essas nações se tornem dependentes", destacou Maslov.
Ao comentar o papel da Rússia, o especialista lembrou que o país esteve entre os fundadores do BRICS, ao lado da China, da Índia e de outras nações. Segundo Maslov, era importante evitar que a associação se transformasse simplesmente em uma organização formal para discutir questões de interesse comum, sem que decisões fossem tomadas. Ao longo das diferentes cúpulas, a Rússia levantou temas que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento do BRICS.
"A Rússia conseguiu imprimir no BRICS uma forma própria de cooperação. E, principalmente, o exemplo da Rússia [...] atraiu muitos outros países para o BRICS. Basta ver o quanto a associação cresceu. Acredito que o papel da Rússia como mediadora é muito, muito importante", afirmou.
A Rússia também criou uma série de instituições, que visam apoiar o desenvolvimento do grupo, incluindo conselhos empresariais, institutos de pesquisa e centros analíticos. De acordo com o especialista, essas estruturas contribuem para o desenvolvimento do BRICS tanto na produção de conhecimento quanto na formação de uma base de especialistas.