Conselho Empresarial do BRICS defende ampliação da cooperação prática entre empresas
Participantes da reunião apresentam resultados da presidência da Índia e definem prioridades para os próximos anos
O Conselho Empresarial do BRICS realizou uma reunião em Nova Délhi para avaliar os resultados do trabalho durante a presidência da Índia, aprovar o relatório anual e definir novas áreas de cooperação. O documento será apresentado aos líderes dos países do BRICS durante a cúpula do grupo, marcada para 13 de setembro.
O presidente da parte indiana do Conselho Empresarial do BRICS, Jai Shroff, destacou que os grupos de trabalho atuaram ao longo do ano em áreas como comércio e investimentos, fortalecimento das cadeias de suprimentos, aplicação de tecnologias, infraestrutura, agricultura, energia, finanças, aviação e indústria.
"O resultado mais valioso desses anos foi uma compreensão mais profunda das oportunidades e do potencial que nossos países possuem. Temos muito a oferecer uns aos outros. Contamos com grandes mercados, recursos naturais, capacidades industriais desenvolvidas, empresas de tecnologia, instituições financeiras e centros de pesquisa. Além disso, todos os nossos países possuem uma enorme energia empreendedora. A questão é como unir essas vantagens", afirmou.
Segundo Shroff, os países do BRICS não precisam criar sistemas e modelos idênticos, mas devem identificar áreas de interesse empresarial real e desenvolver projetos concretos.
"Podemos definir algumas ideias nas quais exista um verdadeiro interesse empresarial e trabalhar juntos. Isso pode envolver investimentos, parcerias tecnológicas, novas cadeias de fornecimento ou projetos com participação de empresas de mais de dois países do BRICS", acrescentou.
Fonte da imagem: TV BRICS
O presidente da parte chinesa do Conselho Empresarial do BRICS, Liao Lin, apresentou quatro prioridades para a futura cooperação. Segundo ele, em 2026, os conselhos nacionais atuaram de forma integrada e os grupos de trabalho implementaram as propostas apresentadas em reuniões anteriores, permitindo a elaboração do relatório anual.
Entre as principais áreas, Liao destacou a implementação dos resultados da presidência indiana do BRICS e o fortalecimento da cooperação comercial e econômica.
"É necessário consolidar politicamente o consenso alcançado pelos líderes dos países do BRICS, alinhar as ações com a futura publicação da Estratégia de Parceria Econômica do BRICS até 2030 e com as novas prioridades, utilizando plenamente o papel do Conselho como elo entre os países e fortalecendo os esforços empresariais para aprofundar a cooperação comercial e econômica", afirmou.
Ele também citou como prioridades o desenvolvimento de novos motores de crescimento econômico por meio da inovação, inteligência artificial e economia verde, além do fortalecimento das cadeias produtivas, expansão dos investimentos e uso de moedas nacionais nas transações.
"É necessário ampliar continuamente o ecossistema de cooperação do 'Grande BRICS', aprofundar o diálogo tanto dentro do grupo quanto com parceiros externos, compartilhar as oportunidades de desenvolvimento do BRICS com os países do Sul Global e responder conjuntamente aos desafios", acrescentou.
O presidente da parte russa do Conselho Empresarial do BRICS, Andrei Guriev, afirmou que as prioridades da presidência indiana, sustentabilidade, inovação, cooperação e desenvolvimento, já estão refletidas em projetos digitais, energia verde e segurança alimentar. No entanto, segundo ele, ainda existem obstáculos relacionados a diferenças regulatórias, procedimentos alfandegários e requisitos de certificação.
Ele destacou que a remoção dessas barreiras é necessária para ampliar o potencial do BRICS.
"Enquanto esses obstáculos não forem removidos, os projetos conjuntos perderão eficiência", declarou Guriev.
Ele acrescentou que a parte russa do Conselho preparou propostas em nove áreas e defendeu a concentração nos projetos mais avançados, com maior participação de pequenas e médias empresas.
Fonte da imagem: TV BRICS
O presidente da parte etíope do Conselho Empresarial do BRICS, Taye Leta Elema, apresentou oportunidades de investimento no país. Segundo ele, a Etiópia possui mais de 130 milhões de habitantes, população com idade média de 19,3 anos e mais de 60 milhões de pessoas em idade ativa.
"A economia do país apresenta crescimento estável de 7,1%, com previsão de aceleração para 8,0%–10,2% em 2026–2027", afirmou.
Ele convidou os países do BRICS a ampliar a cooperação em setores como indústria, energia, agricultura e produção de veículos elétricos. Segundo Elema, investimentos chineses já estão presentes em mais de 30 parques industriais e zonas especiais da Etiópia, com avanço para áreas de montagem de alta tecnologia e produção de componentes solares.
O representante também destacou oportunidades de cooperação com empresas brasileiras no desenvolvimento de complexos de produção de laticínios e projetos de etanol sustentável. Para a Rússia, apontou possibilidades nos setores de mineração e energia, incluindo fertilizantes de potássio, processamento de boro, produção de soda cáustica e mapeamento geológico.
Com o Egito, Elema mencionou potencial em áreas como indústria têxtil, logística marítima e comércio por corredores do Mediterrâneo e do Mar Vermelho. Já os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita foram apresentados como possíveis parceiros em investimentos em energia limpa e hotelaria, enquanto o Irã foi citado como parceiro para a produção de fertilizantes e componentes farmacêuticos.
"A Etiópia entrou para a história como o primeiro país do mundo a proibir completamente a importação de veículos de passageiros com motores de combustão interna. Já foram registrados mais de 110 mil veículos elétricos, que representam mais de 60% dos novos registros", afirmou Elema.
O presidente da parte indonésia do Conselho Empresarial do BRICS, Anindya Bakrie, afirmou que a Indonésia está preparada para se tornar uma base industrial para a Ásia Oriental e o mercado global. Entre os setores estratégicos, ele destacou segurança alimentar e energética, processamento de minerais críticos e desenvolvimento industrial.
"O sucesso da nossa cooperação deve ser medido por resultados concretos: aumento do comércio, crescimento dos investimentos, expansão das parcerias entre empresas e fortalecimento da integração econômica entre nossos países", declarou Bakrie.
O presidente da parte egípcia do Conselho Empresarial do BRICS, Ahmed Al-Wakil, informou que, ao longo do ano, foram realizadas 29 reuniões de grupos de trabalho, com apoio de mais de 50 grupos especializados e associações profissionais.
"Esses resultados estão refletidos em nosso relatório anual, que assinaremos hoje e apresentaremos aos chefes de Estado. O documento demonstra o papel do setor privado dos países do BRICS e seu compromisso com uma cooperação eficiente entre os setores público e privado em benefício de nossos povos", afirmou.
Al-Wakil confirmou que a parte egípcia do Conselho continuará participando das atividades durante a presidência da China no BRICS, em 2027.