Finanças se destacam como tema central da Cúpula do BRICS: países discutem integração de sistemas de pagamento e comércio em moedas nacionais
Diretora-executiva do centro analítico fala sobre integração financeira, expansão do comércio em moedas nacionais e novas oportunidades para o Egito
As finanças serão um dos principais temas da Cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi. Entre os pontos em discussão estão a integração dos sistemas de pagamento e a ampliação do comércio em moedas nacionais, com o objetivo de reduzir custos e o tempo das transações internacionais. A avaliação foi feita pela diretora-executiva do centro analítico African Narratives, Eliane Boutros, em entrevista exclusiva ao Daily News Egypt, parceiro da TV BRICS.
"Espero um aumento dos volumes de financiamento por parte do Novo Banco de Desenvolvimento e a formação de uma posição clara em relação às tarifas alfandegárias unilaterais", afirmou.
Segundo a especialista, uma das principais prioridades do BRICS será o desenvolvimento institucional do grupo e a transformação dos mecanismos já criados em instrumentos práticos de cooperação.
"O primeiro avanço do BRICS foi transformar uma sigla criada por um banqueiro em uma associação em funcionamento. O segundo, de caráter puramente institucional, foi a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas", destacou Boutros.
Como terceiro avanço, a especialista apontou a criação de uma plataforma para os países do Sul Global, que permite expressar posições sobre a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e do Conselho de Segurança da ONU.
Ao comentar a entrada do Egito no BRICS, Boutros afirmou que o país mantém suas relações tradicionais de parceria enquanto desenvolve novos vínculos. Segundo ela, essa estratégia permite ao Egito fortalecer sua posição tanto na África quanto no mundo árabe.
A especialista destacou quatro áreas prioritárias de cooperação entre o Egito e os países do BRICS. Uma delas é a Zona Econômica do Canal de Suez, que pode se tornar uma plataforma industrial e logística para os países do grupo, facilitando o acesso aos mercados da África e da Europa.
Outro setor promissor, segundo Boutros, é o desenvolvimento de energias renováveis e da produção de hidrogênio verde. Ela também ressaltou a importância do agronegócio, especialmente o fortalecimento das relações com a Rússia e o Brasil, que podem contribuir para ampliar os mercados de exportação dos produtos egípcios.
Como quarta área de cooperação, a especialista mencionou a atração de recursos adicionais do Novo Banco de Desenvolvimento para a implementação de projetos de infraestrutura e desenvolvimento econômico no Egito.