China liga "super microscópio" que enxerga dentro da matéria e pode revolucionar ciência
Tecnologia permite observar partículas invisíveis e deve acelerar descobertas em baterias, biomedicina e aeroespacial
A China deu um passo histórico na pesquisa científica: uma nova instalação síncrotron de quarta geração, chamada HALF, acabou de receber seu primeiro feixe de elétrons. O equipamento está localizado na cidade de Hefei, na província de Anhui, e foi projetado para operar com energia de 2,2 gigaelétron-volts. A informação foi compartilhada pela Xinhua News Agency, parceira da TV BRICS.
Mas o que isso significa na prática? A HALF é uma espécie de "super microscópio": ela acelera elétrons quase à velocidade da luz. Quando essas partículas percorrem o anel da instalação, emitem uma luz especial chamada radiação síncrotron, que é 100 vezes mais brilhante do que a das instalações da geração anterior. Com essa luz, os cientistas conseguem observar as menores partículas da matéria, como se estivessem usando um microscópio ultrapotente.
"O sucesso na geração e na entrega do feixe significa que demos um passo decisivo rumo ao objetivo final. [...] A qualidade, a estabilidade e a confiabilidade do feixe afetam diretamente o funcionamento do anel de armazenamento e os experimentos", explicou He Zhigang, engenheiro-chefe do sistema injetor.
Agora, o projeto entra na fase de comissionamento: o feixe será conduzido ao anel de armazenamento, e a instalação passará aos poucos a operar em plena capacidade e de forma estável.
Quando estiver concluída, a HALF será uma das instalações síncrotron de quarta geração mais avançadas do mundo na faixa de baixa energia, complementando as fontes de radiação que já existem na China.
Ela vai servir como plataforma de pesquisa em várias áreas, como ciência dos materiais, ciências da vida e energia, incluindo supercondutividade de alta temperatura, novas baterias, setor aeroespacial, biomedicina e materiais avançados.