Pesquisadores brasileiros criam material sustentável que purifica água e gera hidrogênio
Tecnologia utiliza hidroxiapatita de conchas marinhas e óxido de ferro da indústria siderúrgica
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um nanomaterial capaz de decompor poluentes presentes na água e gerar hidrogênio. O material foi criado a partir de resíduos da indústria siderúrgica e de conchas marinhas e é ativado pela luz solar, informa o Metrópoles, parceiro da TV BRICS.
A tecnologia é baseada em uma heterojunção, isto é, uma interface entre dois materiais semicondutores. No caso do nanomaterial, os cientistas combinaram hidroxiapatita obtida de conchas marinhas e óxido de ferro proveniente de resíduos da indústria siderúrgica.
Sob a ação da luz solar, o sistema removeu 75% do azul de metileno da água em menos de três horas. O corante é amplamente utilizado na indústria têxtil, pode causar danos à saúde humana e bloquear a passagem de luz na água, afetando a fotossíntese de organismos aquáticos. O composto também é capaz de produzir hidrogênio, um combustível limpo associado à transição para uma matriz energética verde.
O sistema foi testado com três diferentes proporções de óxido de ferro. A versão mais eficiente continha 40% desse composto. Os experimentos foram realizados com água da chuva, água de lago e água da torneira, ou seja, em condições próximas às encontradas no ambiente natural.
Os autores destacam que a tecnologia ainda não está pronta para produção em larga escala. Será necessário aumentar a eficiência da geração de hidrogênio, medir com maior precisão o volume de gás produzido e verificar se o material mantém suas propriedades durante períodos prolongados de uso.