Rússia, Índia e China podem promover ampla modernização da infraestrutura africana, afirma especialista
Segundo o especialista, a África do Sul se vê como um elo entre a Rússia e os países do continente
A África do Sul propôs envolver a Rússia, a Índia e a China em um amplo processo de modernização da infraestrutura do continente africano. A declaração foi feita pelo presidente da divisão sul-africana do Conselho Empresarial do BRICS e do Black Business Council (BBC), Elias Monage, no programa da TV BRICS "BRICSdiálogo".
"Se implementarmos, junto dos nossos parceiros do BRICS, um grande projeto, por exemplo, de desenvolvimento da infraestrutura ferroviária, poderemos envolver outros países do continente. Ao reunir vários membros do grupo, como Rússia, Índia e China, garantimos uma cooperação coordenada para uma ampla modernização da infraestrutura da região", afirmou Monage.
Segundo o especialista, a logística e a criação de um polo de transporte estão entre as principais prioridades da África do Sul. A iniciativa permitiria facilitar a circulação de mercadorias entre os países do continente. Ele destacou ainda que o país, localizado no extremo sul da África, possui uma infraestrutura desenvolvida que favorece o transporte de cargas para outras regiões.
Monage também comentou os desafios enfrentados pelos países do BRICS. Entre eles estão a falta de voos diretos dentro da associação, como entre a África do Sul e a Rússia; a ausência de uma plataforma comum de padronização e regulamentação; a inexistência de uma moeda única e a falta de um regime tarifário e de protocolos comuns.
"Para o comércio de diferentes mercadorias entre os países, é necessário um sistema comum de classificação tarifária", explicou.
Na avaliação de Monage, essas questões devem ser enfrentadas com foco na complementaridade, na coordenação das ações e na cooperação, e não na competição. A população jovem também representa uma vantagem para os países do BRICS, ampliando a importância do capital humano e colocando em destaque áreas como educação, formação profissional e transferência de competências.
"Realizamos discussões ativas no continente e trocamos ideias com nossos parceiros. Por exemplo, uma delegação conjunta da África do Sul e da Rússia foi a Moçambique para avaliar as perspectivas de construção de uma fábrica de montagem de caminhões. Além disso, nossos colegas moçambicanos já consideram a possibilidade de cooperar com empresas russas nas áreas de saúde, gás e em alguns outros setores", acrescentou o especialista.
A África do Sul também analisa o marco regulatório para viabilizar a exportação de carne de aves da Rússia para o país e, posteriormente, para outras partes do continente. Outra iniciativa em discussão é a criação de uma fábrica de montagem em parceria com uma montadora russa e uma empresa estatal sul-africana. A unidade poderá produzir caminhões e componentes com base em chassis russos no próprio país, com posterior fornecimento aos mercados vizinhos.
A cooperação humanitária também segue avançando. O artista do povo da Rússia Igor Butman visitou a África do Sul por dois anos consecutivos e se apresentou em um dos festivais internacionais de jazz. Em contrapartida, a África do Sul enviou artistas a Sochi. Os dois países também vêm ampliando a cooperação na área de educação, e a Rússia tem recebido um número crescente de estudantes sul-africanos.
Monage afirmou que a África do Sul atua atualmente como um elo entre a Rússia e os países da região. O país busca ampliar o envolvimento dessas nações no comércio com a Rússia e desenvolver uma cooperação de longo prazo nas áreas empresarial, humanitária e de investimentos.