Ciência chinesa faz descoberta inédita sobre formação da memória humana
Estudo pode transformar o tratamento de pacientes com distúrbios de memória
Neurocirurgiões chineses realizaram um estudo em que descobriram novas informações sobre os mecanismos de formação da memória humana, incluindo o tempo necessário para a consolidação de experiências adquiridas. A descoberta tem o potencial de transformar o tratamento de pacientes com distúrbios de memória, segundo informações do Keji Ribao, parceiro da TV BRICS.
A visão tradicional considerava a consolidação da memória um processo longo, mas uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Medicina da China, com apoio de neurocirurgiões, mostrou que o tempo necessário para essa "fixação" da memória é muito menor.
O estudo investigou como os seres humanos armazenam informações por meio do aprendizado e da recordação. Nele, foi utilizada a técnica de eletroencefalografia estereotáxica (SEEG, na sigla em inglês) para registrar a atividade cerebral de 14 pacientes com epilepsia refratária durante seis dias de aprendizado.
Os resultados mostraram que o processo de memória não é um único evento, mas uma sequência de etapas. O estudo também indica que o período crucial da consolidação ocorre muito mais cedo do que se imaginava, já na primeira noite após o aprendizado.
Um dos autores do estudo, o professor Zhang Chunqing, explicou que, no dia em que as pessoas aprendem algo novo, o hipocampo, localizado nas regiões profundas do cérebro, atua como um "comandante". Ele envia instruções, como um professor, orientando o córtex cerebral a codificar informações por meio de ondas cerebrais de alta frequência em forma de pulsos. Durante o sono, ocorre uma espécie de "revezamento silencioso". A partir do segundo dia, o controle passa para o córtex cerebral, cuja atividade substitui a do hipocampo e permanece dominante durante a recuperação da informação.
Outro autor do estudo, o doutor Wang Lukang, afirmou: "Pela primeira vez, conseguimos captar com precisão o momento dessa 'transferência de comando', e ela ocorre exatamente durante a noite".
A descoberta redefine o entendimento humano sobre o tempo de consolidação da memória. Além de aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos de formação da memória, ela abre novas perspectivas para o tratamento de pacientes com epilepsia, doença de Alzheimer e lesões cerebrais traumáticas.
Os cientistas destacam que o achado pode servir como base para o desenvolvimento de medicamentos ou terapias físicas capazes de melhorar a eficiência da memória e retardar sua deterioração.
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