Especialistas em energia da América Latina conhecem avanços da indústria nuclear russa
Visitantes conheceram aplicações de tecnologias modernas nos setores de energia, indústria e saúde
Especialistas do setor energético de países da América Latina visitaram o Museu ATOM, no complexo VDNKh, em Moscou, onde conheceram a história da indústria nuclear russa, suas principais soluções tecnológicas e as perspectivas para o uso pacífico da energia atômica.
A visita permitiu aos participantes acompanhar a trajetória da indústria nuclear da Rússia, desde as primeiras pesquisas científicas até as tecnologias atuais. No museu, eles conheceram os princípios de funcionamento de uma usina nuclear e a estrutura de um reator energético água-água. Um dos principais destaques da exposição foi uma representação artística desse tipo de reator, que demonstra o processo de conversão da energia nuclear em eletricidade.
"Antes, eu não sabia exatamente como a Rússia havia desenvolvido sua indústria nuclear. Hoje, pude conhecer melhor essa trajetória. Fiquei especialmente impressionado com as tecnologias do futuro, como as usinas nucleares de pequena capacidade. É algo surpreendente", afirmou Renzo Kenneth, especialista em planejamento de redes de transmissão de energia do Peru.
Uma parte específica da visita foi dedicada à medicina nuclear. Os participantes conheceram a utilização de radioisótopos em exames clínicos, no diagnóstico de doenças e no desenvolvimento de métodos de tratamento, inclusive na área da oncologia.
"A experiência é realmente interessante. Acredito que ela vai influenciar a forma como vejo o sistema energético e a transição energética. Isso também me ajudou a analisar o sistema energético argentino sob outra perspectiva, porque temos algumas características em comum. A Argentina possui uma rica trajetória na área das tecnologias nucleares e um conhecimento acumulado significativo. Tenho certeza de que o intercâmbio internacional de conhecimento e o fortalecimento dos vínculos entre especialistas continuarão sendo áreas importantes de cooperação", afirmou Luis Matías Wagner, participante do programa e consultor de relações públicas da Argentina.
Além de conhecer as tecnologias energéticas russas, os participantes também tiveram contato com a história e a cultura do país. Durante a visita ao Museu-Reserva Tsaritsino, eles conheceram o Grande Palácio e seus salões cerimoniais, além de detalhes sobre os projetos dos arquitetos Vassili Bajenov e Matvei Kazakov e as características do conjunto arquitetônico e paisagístico.
Foto: Fotógrafo artístico e de reportagem Martin Netchaev
"Passamos por alguns parques. Aqui cuidam muito bem deles. Eles também têm rios gigantes e espaços verdes, e a gente vê uma coisa que adoramos: encontramos muitos esquilos. Além disso, aqui nos deram um tour externo, que consistiu em conhecer o parque, o lago e esses espaços; parecia que você estava em outro lugar da cidade, ou até fora dela", afirmou Gissele Cristina Flores Suárez, especialista em política fiscal internacional do Equador.
As visitas ao Museu Tsaritsino e ao Museu ATOM fizeram parte da programação cultural do estágio InteRussia, voltado ao intercâmbio de conhecimentos profissionais, ao fortalecimento das relações entre especialistas e ao desenvolvimento da cooperação de longo prazo entre a Rússia e os países da América Latina no setor energético.
"Uma coisa é estudar o que são os temas de energia nuclear; outra coisa é ir e ver de perto como é. De maneira educativa, isso também ajuda a conectar melhor as ideias, a ver o que dá para fazer. E é isso: tanto falar de maneira formal durante as aulas, como também de maneira informal, criar laços, fazer amigos, tanto entre a América Latina quanto com os países do BRICS", disse Gissele Cristina.
Foto: Fotógrafo artístico e de reportagem Martin Netchaev
Em 2026, o projeto reúne dez representantes de Equador, Cuba, Peru, Brasil, Uruguai, Chile, Bolívia e Argentina. São profissionais de diferentes áreas do setor energético, incluindo funcionários de ministérios especializados, engenheiros das indústrias petrolífera e de celulose e energia, especialistas em desenvolvimento de redes elétricas, professores de disciplinas relacionadas ao setor e consultores de relações públicas.
"Esse tipo de experiência pode ser bem produtiva para a gente ver o que funciona, como funciona e o que pode ser aplicado às nossas realidades. Por mais que sejam países diferentes, com realidades diferentes, a gente tem muita coisa em comum. Então, podemos criar várias soluções compartilhadas e que funcionem bem para todos os países juntos", compartilhou Laís Nascimento Cardoso Cruz, professora de Finanças Internacionais e Mercado de Câmbio da PUC Minas.
O estágio InteRussia é organizado pela ONG Mejdunarodniki, em parceria com a Fundação Gorchakov de Apoio à Diplomacia Pública, a Universidade Estatal de Economia de São Petersburgo (SPbGEU) e a TV BRICS, que também atua como parceira de mídia do projeto.
O estágio está sendo realizado em São Petersburgo e Moscou até 22 de agosto de 2026. Em 2024 e 2025, participaram dos programas InteRussia representantes de Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, México, El Salvador, Chile e Equador. Em 2023 e 2025, programas semelhantes foram organizados para especialistas de países da ASEAN.
A iniciativa conta com o apoio da Associação da Energia Global, do Comitê Nacional para a Promoção da Cooperação Econômica com os Países da América Latina, da Agência Russa de Energia do Ministério da Energia da Rússia e da Fundação de Subsídios Presidenciais.
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