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Economia

Metais de terras-raras: recurso para desenvolvimento tecnológico dos países do BRICS

Qual é a importância dos metais de terras-raras para a economia dos países do grupo? Por que eles são chamados de "vitaminas da indústria"? Confira na matéria da TV BRICS

Foto: Pla2na / iStock

Vitaminas da indústria

Nos últimos tempos, tem se tornado cada vez mais comum ouvir falar em "metais de terras-raras". Eles são mencionados no contexto do desenvolvimento da indústria espacial, da energia verde, da eletrônica, da robótica e da medicina. Na prática, hoje é impossível construir uma civilização moderna e de alta tecnologia sem os metais de terras-raras (MTR).

Esse grupo de 17 elementos químicos (entre eles o lantânio, o neodímio e o érbio), que possuem propriedades magnéticas, elétricas e ópticas únicas, também é chamado de "vitaminas da indústria". Isso porque são necessários em quantidades ínfimas, mas melhoram drasticamente as propriedades dos materiais, tornando a eletrônica, os transportes e a energia mais eficientes e compactos.

A escassez de MTR pode provocar uma crise tecnológica em larga escala. Em tese, a falta desses componentes essenciais, que são verdadeiros aceleradores do progresso, poderia paralisar a produção de itens eletrônicos, e a própria transição verde ficaria ameaçada. A probabilidade disso é alta, já que especialistas apontam um crescimento significativo na demanda por metais de terras-raras.

"A demanda vai crescer de 8% a 10% ao ano, pelo menos até 2035. Os principais motores são os veículos elétricos [cada um exige meio quilo de neodímio] e as turbinas eólicas", afirma Abed Amiri, especialista em cooperação econômica e tecnológica do Brics, transformação digital e uso de IA em negócios, em um comentário à TV BRICS.

Além disso, especialistas apontam que, para alguns metais específicos, a demanda pode aumentar em até 40 vezes dentro de dez anos.

Reservas e produção de MTR nos países do BRICS

Se o assunto não for a produção, mas sim as reservas, percebe-se que os metais de terras-raras não são tão raros assim, especialmente quando se trata dos países do BRICS. Segundo estimativas do Ministério de Ciência e Ensino Superior da Rússia, as reservas somadas de metais de terras-raras nos países do grupo representam de 69% a 78% das reservas mundiais, e, somando o Vietnã, esse percentual sobe para 88% a 97%.

De acordo com cálculos do Instituto Central de Economia e Matemática da Academia de Ciências da Rússia (CEMI RAN), as maiores reservas estão na China (44 milhões de toneladas, ou 40% do volume mundial), no Vietnã (20%), no Brasil (19%) e na Rússia (9%, ou, segundo estimativas alternativas, 18%).

A China é a líder incontestável do grupo e do mundo: além de deter as maiores reservas, o país é responsável por mais de 70% da produção global de terras-raras e por 85% do seu processamento, informa a agência Xinhua News Agency, parceira da TV BRICS. A posição dominante da China na produção de MTR se deve, em grande parte, à região de mineração de Bayan Obo, na Mongólia Interior.

Os metais de terras-raras estão relativamente bem distribuídos na crosta terrestre. No entanto, costumam ser encontrados dispersos em baixas concentrações. Por isso, sua extração e processamento são economicamente complexos e prejudiciais ao meio ambiente. A ampla distribuição da produção exige operações de grande escala e altamente invasivas para se obter quantidades economicamente viáveis, o que resulta em altos custos de extração.

Outro problema relevante na extração de metais de terras-raras é a degradação significativa do meio ambiente e os riscos à saúde humana associados a ela. A purificação dos metais de terras-raras também é um processo intensivo em energia e quimicamente complexo, que envolve substâncias perigosas, como ácidos concentrados. Vazamentos acidentais podem ter consequências devastadoras.

"O problema não está apenas na extração dos elementos de terras-raras, mas também no seu processamento em conformidade com padrões ambientais e tecnológicos rigorosos. A mineração tem impacto significativo e exige investimentos em separação, processamento químico, controle ambiental e criação de capacidade industrial", destaca Erik Escalona Aguilar, professor da Universidade Bernardo O'Higgins, em Santiago do Chile, em um comentário à TV BRICS.

A demanda em crescimento acelerado e a necessidade de metais de terras-raras para o crescimento econômico têm levado os países a desenvolver capacidade própria de extração e processamento. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), entre os dez maiores produtores de metais de terras-raras, além da China e de outros líderes, estão países do BRICS como Brasil, Rússia e Índia.

"O mercado de elementos de terras-raras continua concentrado na China, não apenas na mineração, mas também no refino, na separação e na indústria de ímãs. Quanto aos países do BRICS, Rússia, Brasil e Índia possuem reservas significativas, mas o desafio para eles está em transformar recursos geológicos em capacidade industrial", comenta sobre a situação atual do mercado Erik Escalona Aguilar.

redkozemelnye-metally-resurs-tekhnologicheskogo-razvitiya-stran-briks (1).jpgFoto: Photon-Photos / iStock

Plataforma geológica e outras iniciativas conjuntas do BRICS

Um passo importante para transformar os recursos naturais disponíveis em capacidade industrial pode ser a plataforma geológica digital conjunta do BRICS. O trabalho para sua criação está em curso desde 2024. O serviço tem como objetivo facilitar a comunicação entre especialistas de diferentes países em questões de prospecção geológica e uso do subsolo, além de promover o intercâmbio de conhecimento e tecnologia. Também está em discussão o lançamento de projetos conjuntos.

Já existem acordos sobre a base jurídica e a realização de atividades conjuntas, incluindo estágios e programas de capacitação. Mas o mais importante é que a plataforma permitirá consolidar esforços na adoção de melhores práticas conjuntas para uma extração ambientalmente segura e um processamento aprofundado dos metais de terras-raras e, especialmente, reunir investimentos para o desenvolvimento de jazidas complexas. Entre elas, é comum citar o depósito de Tomtor, em Iakutia, considerado uma das maiores fontes mundiais de MTR e nióbio, além de jazidas no Brasil. Outras iniciativas do grupo também podem ajudar os países da associação na extração de metais de terras raras, como os pagamentos em moedas nacionais e o desenvolvimento de novas rotas logísticas.

"As cadeias de transporte pela Rota Marítima do Norte e pelos corredores ferroviários Rússia-Cazaquistão-Índia reduzem o tempo de entrega de 45 para 18 dias. A soberania tecnológica vai crescer exatamente na medida em que os países do BRICS compartilharem não só a extração, mas também as fábricas de separação de metais de terras-raras", afirma Abed Amiri.

redkozemelnye-metally-resurs-tekhnologicheskogo-razvitiya-stran-briks (2).jpgFoto: Pla2na / iStock

Hoje, muitos especialistas falam sobre a necessidade de diversificação, de ampliação da geografia da extração de MTR, e também do fortalecimento, dentro do BRICS, de projetos conjuntos de ciclo completo, com a produção de bens acabados.

"As joint ventures dos países do BRICS podem melhorar a logística e fortalecer a soberania tecnológica, mas somente se integrarem extração, processamento, produção e tratamento de resíduos", avalia Erik Escalona Aguilar.

Por que, afinal, é tão importante produzir produtos acabados de alta tecnologia, como ímãs permanentes, luminóforos, lasers, catalisadores e baterias? É justamente aí que reside o poder econômico e a independência tecnológica dos países. A China, líder mundial, por exemplo, já controla não apenas a extração, o beneficiamento e a separação de MTR, mas também a maior parte da produção mundial de ímãs de neodímio.

Também por isso hoje se fala tanto em atrair recursos de investimento por meio de parcerias da União Econômica Eurasiática, da Organização para Cooperação de Xangai e do BRICS para a construção de capacidade de processamento próxima às jazidas. Em dezembro de 2025, o Governo da Rússia aprovou um plano de ações para o desenvolvimento do setor de metais raros e de terras-raras, que prevê uma série de grandes projetos tecnológicos, incluindo a criação de um polo de processamento aprofundado.

Este artigo foi preparado por Svetlana Khristoforova.

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