Fórum Empresarial Global da ONU debate papel do setor privado no alcance dos ODS
Evento destacou o desenvolvimento industrial e a implementação do Pacto para o Futuro
O Fórum Empresarial Global das Nações Unidas sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foi encerrado nesta terça-feira (14). Neste ano, o evento teve como tema "Empresas e economia real: promovendo o desenvolvimento sustentável em um cenário global em transformação". Líderes empresariais e representantes de governos e organizações internacionais discutiram a contribuição do setor privado para acelerar o cumprimento dos ODS.
Os debates se concentraram principalmente no Objetivo 9, dedicado à indústria, à inovação e à infraestrutura, e na implementação do item 55(c) do Pacto para o Futuro. Adotado pelos Estados-membros da ONU durante a Cúpula do Futuro, em 2024, o documento estabelece diretrizes para modernizar a governança global e acelerar a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O item 55(c), em particular, prevê o fortalecimento da cooperação com o setor privado e uma maior responsabilização das empresas.
A programação do fórum incluiu duas discussões temáticas. A primeira abordou as principais tendências que moldam as atuais políticas industriais, incluindo a digitalização, o desenvolvimento da inteligência artificial, a transição verde e a transformação das cadeias globais de suprimentos. Na segunda sessão, os participantes analisaram aspectos práticos da implementação do item 55(c) em nível nacional. Também foram apresentados exemplos de cooperação entre órgãos públicos e empresas, inclusive na preparação dos Relatórios Nacionais Voluntários (RNVs).
Ao abrir o fórum, a diretora-geral e diretora-executiva do Pacto Global da ONU, Sanda Ojiambo, afirmou que investimentos realizados em tempo hábil no desenvolvimento sustentável podem não apenas reduzir os custos econômicos de longo prazo, mas também impulsionar o crescimento da economia global e a transformação energética.
"Na área de energia, 90% das novas fontes renováveis têm custos inferiores aos das alternativas mais acessíveis baseadas em combustíveis fósseis. Os investimentos em energia limpa são quase duas vezes maiores do que os destinados aos combustíveis fósseis, o que fortalece a segurança energética e já garante quase 30% da produção mundial de eletricidade, uma participação que continua crescendo", destacou.
Por sua vez, a presidente do Conselho de Administração do Pacto Global da ONU na Ásia Central, Umut Shayakhmetova, ressaltou a importância da cooperação regional para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
"A parceria deixou de ser uma opção: é o único caminho a seguir. [...] Quando a Ásia Central avança de forma conjunta, cada país da região se torna mais forte. Durante muitos anos, a Ásia Central foi considerada uma ponte entre continentes. Hoje, está se tornando algo muito mais importante: uma ponte entre as ambições globais e as ações práticas. [...] Saudamos a criação do Centro Regional da ONU para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [...] em Almaty. [...] A iniciativa, proposta inicialmente pelo presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, está se tornando uma plataforma fundamental para governos, empresas, a ONU e parceiros de desenvolvimento, permitindo transformar aspirações compartilhadas em resultados mensuráveis", afirmou Shayakhmetova.
A diretora-geral adjunta da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Fatou Haidara, declarou que as empresas privadas já se tornaram a principal força propulsora das atuais transformações industriais.
"Quando pensamos no futuro da industrialização, podemos afirmar que o setor privado já está no centro das transformações em curso, desde a transição verde até a reestruturação das cadeias globais de suprimentos. Por isso, procuramos desenvolver, em parceria com o setor privado, soluções, mercados e cadeias produtivas que definirão o futuro da industrialização sustentável. [...] O primeiro exemplo, diretamente relacionado ao tema da discussão de hoje, é a nossa Aliança Global para a Inteligência Artificial na Indústria e na Manufatura. Trata-se de uma iniciativa digital que reúne líderes industriais, governos, instituições acadêmicas e inovadores para incorporar a inteligência artificial aos processos produtivos e reduzir a desigualdade digital. Outro exemplo são nossos Centros de Excelência na China, em Belarus [...] e em outros países. Essas plataformas conectam fornecedores globais de tecnologia a pequenas e médias empresas locais, contribuindo para a capacitação profissional e para a adoção mais rápida da inteligência artificial", explicou Haidara.
O presidente e diretor-geral da Africa Finance Corporation (AFC), Samaila Zubairu, afirmou que chegou o momento de o continente africano deixar de apenas discutir suas necessidades de financiamento e avançar na construção de economias competitivas.
"A prosperidade é resultado de decisões conscientes. Ela é alcançada por meio da integração entre capital, infraestrutura, indústria e mercados, com o objetivo de criar valor nos lugares onde as pessoas vivem. As futuras gerações herdarão a África que decidirmos construir hoje. [...] Em todo o continente, estamos passando da extração de matérias-primas para seu processamento. Participamos da construção do maior complexo de refino de petróleo e produção de fertilizantes do mundo, na Nigéria, desenvolvemos a produção de ânodos de cobre de baixo carbono na República Democrática do Congo e ampliamos corredores estratégicos de transporte, como o Corredor do Lobito, que conecta áreas de mineração aos mercados e os países a novas oportunidades", acrescentou.
As avaliações apresentadas durante o fórum foram complementadas por representantes do setor tecnológico, que destacaram a importância das soluções digitais para a implementação da agenda de desenvolvimento sustentável.
"A agenda do Fórum Empresarial Global sobre os ODS reflete uma tendência importante: o desenvolvimento sustentável é cada vez mais avaliado não por declarações, mas pelas mudanças concretas produzidas na economia. Para a indústria, a logística e o varejo, isso significa monitorar recursos com precisão, garantir a rastreabilidade das operações, reduzir perdas e elevar a produtividade. A identificação digital constitui a base dessas transformações — uma infraestrutura essencial para a gestão dos processos de produção, armazenamento e comércio. Códigos de barras, códigos QR e sistemas de coleta automática de dados conectam produtos, equipamentos e operações aos sistemas corporativos de informação. São justamente esses dados que formam a base para a automação, a análise e a aplicação da inteligência artificial. Por isso, a contribuição prática das empresas para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável depende, em grande medida, de sua capacidade de implementar tecnologias que produzam resultados claros e mensuráveis. Soluções de identificação automática, coleta de dados e robotização já são procuradas nos mercados internacionais, pois permitem resolver desafios concretos: reduzir o número de erros, melhorar a gestão dos processos e garantir o uso mais racional dos recursos", afirmou o diretor de tecnologia da MEFERI, Valeri Cherman.
A expectativa é que os resultados do fórum sejam utilizados na preparação de outros eventos intergovernamentais previstos para 2026, incluindo o Fórum do Setor Privado e a Conferência das Nações Unidas sobre a Água.
O Fórum Empresarial Global sobre os ODS foi realizado como um evento especial do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF, na sigla em inglês). Em 2026, o encontro tem como tema "Ações transformadoras, equitativas, inovadoras e coordenadas para a implementação da Agenda 2030". Durante o HLPF, será realizada uma análise aprofundada de cinco Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Além disso, 36 países, entre eles Brasil, Tanzânia, Arábia Saudita e Uruguai, apresentarão seus Relatórios Nacionais Voluntários.
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