Índia realiza reunião virtual das Academias de Ciências do BRICS sobre uso da IA para desenvolvimento sustentável
Principal objetivo do encontro foi preparar uma declaração conjunta sobre o desenvolvimento responsável e equitativo das tecnologias
A Academia Nacional de Ciências da Índia (INSA, na sigla em inglês) realizou a primeira reunião virtual do Fórum das Academias de Ciências dos países do BRICS. O encontro teve como foco o uso da inteligência artificial para promover o desenvolvimento sustentável e ampliar a cooperação entre os países do Sul Global. A informação foi divulgada pela ANI, parceira da TV BRICS.
Participaram das discussões representantes de 10 países: Brasil, China, Egito, Etiópia, Indonésia, Rússia, África do Sul, Belarus, Nigéria e Vietnã. Durante a reunião, os participantes analisaram e aperfeiçoaram o projeto de uma declaração conjunta sobre a aplicação da IA na ciência e no desenvolvimento sustentável.
"O objetivo deste fórum é ir além do diálogo. A IA deve se tornar uma ferramenta prática para o desenvolvimento inclusivo e sustentável do Sul Global", afirmou o presidente da INSA, Shekhar Mande.
Os debates abordaram o potencial da inteligência artificial para impulsionar pesquisas científicas e contribuir para a solução de desafios globais em áreas como desenvolvimento de novos materiais, descoberta de medicamentos, modelagem climática, agricultura, saúde, educação, energia e segurança alimentar. Os participantes também destacaram a necessidade de enfrentar as desigualdades no acesso às tecnologias digitais e reduzir a crescente lacuna tecnológica entre os países.
"A cooperação entre os países do Sul Global no âmbito do BRICS na área de inteligência artificial pode gerar resultados mais equilibrados e contribuir para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável", declarou Anurag Agrawal, vice-presidente de Política Científica da INSA.
Entre os consensos alcançados está o compromisso de avançar na criação de infraestrutura computacional compartilhada, ampliar o intercâmbio de dados científicos e estimular o desenvolvimento de modelos multilíngues de IA. Os participantes também defenderam o fortalecimento de softwares e plataformas de código aberto, além da criação de grupos de trabalho conjuntos, programas de intercâmbio de pesquisadores e mecanismos de avaliação da tecnologia.
Os representantes dos diferentes países reforçaram algumas frentes de cooperação. A China, por exemplo, propôs a definição de critérios comuns para medir a prontidão dos países para a adoção da IA e o fortalecimento dos sistemas de compartilhamento de dados científicos. Já o Egito destacou o potencial da tecnologia para enfrentar desafios relacionados à segurança alimentar, à saúde, à educação, à energia e à adaptação às mudanças climáticas.
Outros participantes enfatizaram aplicações específicas da inteligência artificial em áreas estratégicas. A Indonésia destacou o uso da tecnologia na gestão de riscos de desastres naturais e na promoção da agricultura sustentável. A Etiópia defendeu o aprofundamento da cooperação em cibersegurança, enquanto o Vietnã ressaltou a importância do desenvolvimento conjunto de infraestrutura digital pública. A Nigéria, por sua vez, apontou a IA como ferramenta essencial para impulsionar a inovação científica e aprimorar processos de gestão.
Paralelamente, a África do Sul manifestou apoio ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial de código aberto e chamou atenção para os desafios relacionados aos custos da tecnologia e aos seus impactos sociais. Belarus, por outro lado, enfatizou a importância da aplicação responsável da IA, especialmente nos setores de saúde e cibersegurança.
Todas as propostas serão incorporadas a uma versão atualizada da declaração, cuja aprovação final está prevista para uma reunião presencial de representantes dos países do BRICS e dos Estados parceiros, programada para julho de 2026 no Instituto Indiano de Tecnologia, em Hyderabad.
A presidência do BRICS foi oficialmente transferida do Brasil para a Índia em 1º de janeiro de 2026.
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