Cientistas da Rússia e do Egito encontram forma de descontaminar solos com samambaia aquática
Planta também ajuda a melhorar a fertilidade e favorece o cultivo de arroz
O cientista da Universidade Russa da Amizade dos Povos (RUDN), professor associado do Departamento de Gestão Ambiental Racional do Instituto de Ecologia, Iasser Rebouh, e seus colegas da Universidade de Tanta, no Egito, comprovaram que a samambaia aquática azolla (Azolla filiculoides) pode contribuir para a recuperação de solos contaminados e beneficiar o cultivo de arroz. A informação foi divulgada no site da universidade, parceira da rede TV BRICS.
A azolla vive na superfície da água, acumula biomassa rapidamente e consegue absorver nitrogênio do ar. Essas características permitem seu uso como fertilizante natural. A planta também reduz a presença de metais pesados no solo ao reter essas substâncias em seus tecidos.
Durante o estudo, os pesquisadores plantaram arroz em vasos com solo contaminado por cobre, zinco e chumbo. Em seguida, adicionaram diferentes doses de azolla fresca, composto produzido a partir da planta e fertilizantes minerais. O melhor resultado foi obtido com a combinação da dose total recomendada de um complexo básico de macronutrientes com nitrogênio, fósforo e potássio, 5 toneladas de azolla fresca por hectare e 7 toneladas de composto de azolla por hectare.
Nesse cenário, a produtividade do arroz aumentou quase 64% em comparação com o grupo de controle. O teor das formas disponíveis de zinco e cobre caiu para um nível seguro, enquanto a qualidade do solo melhorou: houve aumento da matéria orgânica, maior capacidade de retenção de nutrientes e melhor absorção de nitrogênio, fósforo e potássio pelas plantas.
Segundo Rebouh, a azolla permite unir fertilização natural e fitorremediação, técnica que utiliza plantas para reduzir ou remover contaminantes do ambiente.
"Isso é especialmente importante para países em desenvolvimento, onde os agricultores não podem arcar com métodos caros de limpeza do solo", afirmou o pesquisador. Ele acrescentou que o trabalho apoia os princípios da economia verde e da agricultura circular, ao transformar a biomassa da azolla em fertilizante e em uma ferramenta para recuperar áreas contaminadas.
Os cientistas destacam ainda que a tecnologia pode contribuir para a produção de arroz mais seguro e reduzir a pressão sobre o meio ambiente. Nas próximas etapas, os especialistas pretendem estudar a combinação da azolla com outras espécies vegetais e microrganismos.
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