Saborosa, sem caroço e produtiva: conheça a uva BRS-Vitória
Os agrônomos da Embrapa levaram cerca de 10 anos pra desenvolver e testar essa nova variedade de uva
Uma nova variedade de uva está sendo cada vez mais cultivada no Vale do Rio São Francisco, em Pernambuco, a BRS-Vitória. Ela faz sucesso por não ter sementes e ser bem doce. Essa cultivar é resultado do cruzamento de 2 materiais genéticos que fazem parte do maior acervo de videiras de toda América Latina, localizado na sede da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.
Desde a década de 1970, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária desenvolve um programa de melhoramento genético uvas do Brasil, que já lançou 21 variedades voltadas para vinho, suco e mesa. A BRS-Vitória saiu de lá, foi testada em terras paulistas e paranaenses até ganhar o mundo a partir do Vale do Rio São Francisco. Os agrônomos da Embrapa levaram cerca de 10 anos pra desenvolver e testar essa nova variedade.
O chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando Protas, com que o sucesso da variedade deixou algumas lições para o futuro pesquisa. “Não só o aspecto estético deve ser levado em consideração, mas o sensorial, de gosto e sabor, deve ser levado em consideração na criação de uma variedade”, conta. E um dos itens que mais agradou o paladar de quem apostou na uva Vitória foi ela não ter sementes.

A enxertia é a técnica que consiste na junção de uma planta boa de raízes e outra que vai dar os frutos, no caso a Vitória. O agricultor Marcelo Alves tem parceria com a Embrapa para produzir as mudas da variedade. Desde então, ele só viu crescer a procura pela variedade, saindo de 72 mil mudas em 2015 para 950 mil em 2019, informa o repórter de tvbrics.com com referência ao G1.
Os próprios pesquisadores que desenvolveram a BRS-Vitória se mostram surpresos com todo esse sucesso. “Cultivar é igual quando a gente tem filho. Na hora que cresce, tem a sua trajetória, a gente não pode prever muitas vezes”, afirma a pesquisadora e agrônoma da Embrapa Patrícia Ritschel.
Mais uma vantagem dessa variedade é seu rápido desenvolvimento de uma safra para outra. Isso faz com que os produtores do Vale do Rio São Francisco consigam a façanha de colher a uva vitória em todas as semanas do ano, mas, para isso, é preciso fazer uma poda drástica, que expõe as videiras ao sol. Ela é realizada 30 dias depois da colheita. A rapidez na frutificação é, também, uma condição específica da Vitória, o que permite produzir até 5 safras em 2 anos.
Photo: embrapa.br
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