Uma das histórias mais impressionantes da economia moderna: especialistas do BRICS sobre os 20 anos da associação
Encontro reuniu representantes de Rússia, Índia, China, Brasil e África do Sul no Centro de Mídia BRICS+ em Moscou
A sessão "BRICS 20 anos: balanço, conquistas e perspectivas de cooperação" foi realizada no Centro de Mídia Cultural e Informativo BRICS+, sediado na Biblioteca Rudomino de Literatura Estrangeira, em Moscou. O evento ocorreu durante a Semana Jubileu do BRICS, organizada pela rede internacional de mídia TV BRICS e pela Biblioteca de Literatura Estrangeira.
A discussão contou com a participação de representantes de organizações internacionais, da comunidade especializada, de instituições científicas e culturais, do meio empresarial e de organizações da sociedade civil dos países do BRICS. Especialistas da Índia, China, Brasil, África do Sul e de outros países enviaram vídeo-mensagens aos participantes.
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria (CCI) do BRICS na Índia, Sameep Shastri, descreveu a trajetória da associação como uma das histórias mais impressionantes da economia moderna.
"Ao longo dessas duas décadas, o volume de comércio entre nossos países cresceu 13 vezes. [...] Esse crescimento foi possível graças à complementaridade de nossas economias. Um país-membro produz, o outro necessita daquela produção. O que um já domina, outro busca aprender. Essa é a verdadeira forma de parceria, capaz de perdurar por muitos anos. [...] A complementaridade de nossas economias é verdadeiramente impressionante. Energia, agricultura, indústria, serviços, infraestrutura, tecnologia e intercâmbio tecnológico. Praticamente tudo o que um país precisa, outro pode oferecer. E isso é muito importante. É a base de um ecossistema verdadeiramente autossuficiente. E mal começamos a revelar seu potencial"![]()
Sameep Shastri Presidente da Câmara de Comércio e Indústria do BRICS
O presidente da CCI do BRICS destacou que pequenas e médias empresas já demonstram interesse em ampliar a cooperação direta, e que o principal desafio agora é criar mecanismos capazes de atender a essa demanda, fortalecendo conexões empresariais, impulsionando o comércio e facilitando parcerias transfronteiriças para que empresas dos países do BRICS possam se aproximar e crescer em conjunto.
O residente do Parque de Incubação do BRICS na China, Wang Weipeng, relatou sua experiência em intercâmbios sino-russos nas áreas industrial, educacional e tecnológica, e afirmou ter constatado o enorme potencial de cooperação no âmbito do BRICS. Segundo ele, em um cenário global instável, a associação tem mantido consistentemente o princípio do multilateralismo, promovendo a cooperação no comércio, na inovação tecnológica e na educação cultural.
"Olhando para o futuro, acredito que a cooperação no BRICS possui três principais direções de desenvolvimento. Primeiro, o aprofundamento da cooperação em inovação científica e tecnológica. Em um contexto de rápidas transformações tecnológicas globais, os países do BRICS devem enfrentar juntos desafios relacionados à inteligência artificial, às tecnologias digitais, à saúde inteligente e às tecnologias da informação do futuro, criando plataformas abertas e acessíveis de inovação e construindo um ecossistema industrial inovador, independente, conectado e capaz de responder aos novos desafios. Segundo, o fortalecimento dos intercâmbios culturais e educacionais. Os talentos são a base para o desenvolvimento de longo prazo do BRICS. Devemos continuar ampliando os intercâmbios estudantis internacionais, as visitas de pesquisadores, a construção conjunta de laboratórios e os programas de formação de profissionais com diferentes áreas de conhecimento. Terceiro, os membros da associação continuarão promovendo a abertura e a inclusão, além de ampliar o diálogo e a cooperação com outros países, compartilhando experiências, avanços científicos e tecnológicos e recursos industriais, de modo a tornar o desenvolvimento global mais equilibrado, inclusivo e sustentável"![]()
Wang Weipeng Residente do Parque de Incubação do BRICS na China
O coordenador do projeto Observatório do BRICS no Brasil, Fábio Borges, destacou o Novo Banco de Desenvolvimento como o principal resultado concreto da cooperação entre os países do grupo, cuja criação foi aprovada em 2014, durante a cúpula de Fortaleza. Segundo ele, a instituição se diferencia dos modelos tradicionais por estabelecer relações mais horizontais, sem impor condições de crédito, levando em consideração as necessidades dos países do Sul Global e dando atenção às questões ambientais. Paralelamente ao banco, também foi criado o Acordo de Reserva Contingente do BRICS, uma espécie de equivalente ao Fundo Monetário Internacional, com o objetivo de apoiar países que buscam ampliar o comércio em moedas nacionais.
"Há uma aproximação cultural entre os países do BRICS. A própria TV BRICS, que traz filmes e documentários de todos os países do BRICS para que nós possamos nos conhecer mais e trazer iniciativas conjuntas. Por exemplo, aqui no Brasil, eu trabalho no Observatório do BRICS e todo ano fazemos o Festival de Cinema do BRICS. Essa cooperação cultural é muito importante. Também há cooperação nos setores de tecnologia, de segurança, de políticas sociais, de jovens. Então vemos que a iniciativa do BRICS se tornou multidimensional, o que confere uma grande atratividade aos olhos do sistema internacional"![]()
Fábio Borges Coordenador do Observatório do BRICS
O especialista brasileiro afirmou que o BRICS se consolidou como uma força relevante no sistema internacional e oferece caminhos alternativos para a construção de uma ordem mundial mais voltada para a paz e o avanço dos investimentos nas áreas econômica e social. Segundo ele, essa visão está alinhada à essência da política externa brasileira de cooperação Sul-Sul, que busca ampliar investimentos em infraestrutura e meio ambiente.
Durante a sessão, especialistas russos também discursaram. A diretora-geral da Biblioteca Rudomino de Literatura Estrangeira, Marina Zakharenko, abriu a discussão destacando o simbolismo do encontro nas dependências da biblioteca, que há mais de 100 anos serve como espaço de diálogo humanitário internacional.
"A associação BRICS é, em grande parte, política e econômica, mas, sem conhecer e compreender a cultura do outro, é impossível construir qualquer tipo de relação. Nesse sentido, a Biblioteca de Literatura Estrangeira desempenha um papel claro, necessário e fundamental, ao reunir representantes de diferentes culturas e oferecer acesso à literatura dos países do BRICS. [...] Cada biblioteca dos países do BRICS compartilhou algumas das conquistas alcançadas ao longo desses 20 anos de trajetória. De maneira concreta e direta, qualquer biblioteca cria conexões. A nossa, por exemplo, mantém parcerias com a Biblioteca Nacional da China e com a Biblioteca Nacional da Indonésia"![]()
Marina Zakharenko Diretora-geral da Biblioteca Rudomino de Literatura Estrangeira
A produtora-geral da TV BRICS, Kristina Muraviova, ressaltou que a comunidade de bibliotecas dos países do BRICS desempenha papel fundamental tanto na preservação do patrimônio cultural quanto na criação de novos conteúdos. As conclusões apresentadas durante a Semana Jubileu servirão de base para os materiais dos veículos parceiros da TV BRICS, permitindo uma avaliação abrangente das perspectivas da associação e a identificação de novas oportunidades para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas.
Foto: TV BRICS
A Semana Jubileu do BRICS se estende até 20 de junho. O ciclo de eventos culturais, educativos e diplomáticos é realizado no Centro de Mídia Cultural e Informativo BRICS+ e traça um balanço dos 20 anos de atuação da associação nas vertentes humanitária e econômica.
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