Unesco reafirma compromisso com restituição do patrimônio cultural africano
Mais de 90% dos objetos culturais antigos da África permanecem fora do continente
A Unesco reiterou seu compromisso com a restituição do patrimônio cultural africano, destacando que a devolução de bens culturais deslocados constitui um direito cultural, um ato de justiça histórica e um elemento essencial da identidade dos povos, segundo informou a ENA, parceira da rede TV BRICS.
Essa mensagem foi apresentada durante uma mesa-redonda de alto nível realizada na cidade de Adis Abeba, com foco na restituição, nos direitos culturais e no direito à memória, reunindo especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil da África e da América Latina.
Durante o fórum, foi ressaltado que mais de 90% dos objetos culturais antigos da África permanecem fora do continente. Os participantes concordaram que a restituição deve ser entendida como um direito fundamental, intimamente ligado à memória histórica, à identidade cultural e à justiça reparadora, em consonância com os marcos normativos africanos, as convenções da Unesco e o direito internacional.
Representantes da Unesco, do Marrocos e da Etiópia concordaram que a cultura é um pilar da soberania, da coesão social e do desenvolvimento, e que fortalecer sua proteção e restituição é fundamental para o futuro do continente.
Além disso, nos países do BRICS, diversos locais, práticas ancestrais e projetos têm recebido reconhecimento da Unesco. A China, por exemplo, firmou-se como líder mundial em patrimônio cultural imaterial, com 44 elementos inscritos na lista da organização, o maior número registrado globalmente.
O gigante asiático incorporou 325 novos elementos ao seu patrimônio nacional e reconheceu 942 novos herdeiros culturais, além de criar uma rede de 276 reservas de ecologia cultural.
A Unesco também reconheceu a arte de fabricar e tocar o rabab como patrimônio cultural imaterial, destacando seu valor histórico e cultural para Irã, Tajiquistão e Uzbequistão, assim como seu papel no fortalecimento da identidade e da coesão social entre esses países.
Além disso, o Brasil apresentou à Unesco a candidatura do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, na Bahia, para inclusão na Lista do Patrimônio Mundial Natural, destacando a singularidade de seus ecossistemas, a riqueza de sua biodiversidade e sua importância como área de reprodução da baleia-jubarte.
Fotografia: Ericbvd / iStock
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