China envia ao Brasil maior navio de cravação de estacas do mundo
Embarcação participará da construção da Ponte Salvador-Itaparica
A China enviou ao Brasil o CRCC Bridge Piling No. 1, considerado o maior navio de cravação de estacas com posicionamento dinâmico do mundo. A embarcação será utilizada na construção da Ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, informou o Global Times, parceiro da rede TV BRICS.
A viagem até o Brasil deverá durar cerca de 45 dias, período em que o navio percorrerá aproximadamente 11.300 milhas náuticas. A rota passará pelo estreito de Malaca e pelo cabo da Boa Esperança antes de alcançar o Atlântico Sul e chegar à costa brasileira. O deslocamento exigiu planejamento específico, definição da rota e avaliações de risco devido às dimensões da embarcação.
Com 130,5 metros de comprimento, o navio possui uma estrutura de cravação de estacas de 156 metros de altura, capacidade para içar estacas de até 700 toneladas e operar em profundidades de até 70 metros. Essas características permitem realizar trabalhos de fundação em condições marítimas de maior complexidade.
O navio combina sistemas de posicionamento dinâmico e por amarração com o sistema de navegação por satélite chinês BeiDou. A tecnologia permite posicionar a embarcação com precisão centimétrica durante a instalação das fundações. Outro recurso é um sistema hidráulico capaz de recuperar até 40% da energia utilizada em determinadas operações.
Para a cravação das estacas no leito marinho, o equipamento utiliza um martelo hidráulico com energia de impacto de até 1.360 quilojoules por golpe. O sistema será empregado em uma das etapas mais complexas da construção da ponte, que contará com uma travessia marítima de 12,4 km.
A Ponte Salvador-Itaparica integra um sistema viário de 46,8 km, que inclui 4,2 km de conexões rodoviárias em Salvador e 30,2 km de vias na Ilha de Itaparica. Após a conclusão, a travessia entre Salvador e Vera Cruz deverá ser reduzida para cerca de 15 minutos, em comparação com aproximadamente uma hora pelo transporte por ferry.
A expectativa é de que a ponte receba cerca de 28 mil veículos por dia e reduza em aproximadamente 200 km o percurso de mercadorias como grãos, algodão e frutas produzidos no oeste da Bahia.