Cientistas chineses usam nova tecnologia para escanear patrimônio histórico pela primeira vez
Método inovador registra a geometria dos monumentos com precisão milimétrica e identifica sua composição mineral e danos ocultos
Cientistas chineses utilizaram, pela primeira vez, a tecnologia de imagens hiperespectrais em 3D para criar um arquivo digital completo de duas antigas cavernas budistas do complexo das Grutas de Yungang, na província de Shanxi. A informação foi divulgada pelo Science and Technology Daily, parceiro da TV BRICS.
Segundo Li Lihong, pesquisadora do Instituto de Pesquisa das Grutas de Yungang, a tecnologia permite registrar simultaneamente a geometria, os materiais e a distribuição de danos nos monumentos, criando uma espécie de "impressão digital espectral" para cada ponto de sua superfície.
As cavernas nº 7 e nº 8 foram escavadas entre 471 e 494 d.C. e formam o primeiro conjunto de cavernas duplas de Yungang. O complexo reúne colunas de inspiração grega, esculturas budistas da tradição indiana de Gandara e elementos da arquitetura tradicional das planícies centrais da China, refletindo o intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente. No entanto, a complexidade das superfícies curvas e a grande extensão das cavernas dificultaram, por muito tempo, a criação de réplicas digitais completas com equipamentos convencionais.
Os cientistas desenvolveram seus próprios equipamentos, equipados com fontes de luz fria e de amplo espectro, capazes de manter a estabilidade das medições mesmo diante de variações de temperatura. Também foi criado um método que combina os dados coletados com estruturas geométricas tridimensionais, compensando distorções causadas por superfícies irregulares e permitindo registrar áreas que não podem ser observadas diretamente.
Em 2025, a equipe concluiu o mapeamento de 1.465 metros quadrados, gerando um total de 29,2 TB de dados. Além de garantir precisão milimétrica no levantamento geométrico, o trabalho permitiu obter “impressões digitais espectrais” da composição mineral, de sais e de pequenas quantidades de umidade.
Com o método, os cientistas registraram pela primeira vez vestígios de pigmentos antigos, marcas de restaurações e sinais de danos iniciais que não são visíveis a olho nu. Com base nos dados coletados, estão sendo criados um banco de dados espectral, um catálogo de pigmentos e um inventário de danos.
Em 2026, o projeto será ampliado para incluir as cavernas de nº 38 a nº 45, com o objetivo de criar um "arquivo digital holográfico" que abranja as principais cavernas das Grutas de Yungang e preserve esse patrimônio da humanidade no mundo digital para as gerações futuras.
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