Cientistas russos criam sistema para acelerar busca por antibióticos de novo tipo
Novo sistema de teste ajuda a entender se a substância mata a bactéria ao interferir na síntese de RNA
Pesquisadores russos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skolkovo (Skoltech) e de outros centros científicos desenvolveram um sistema aprimorado para a busca por novos antibióticos. A tecnologia permite identificar rapidamente substâncias capazes de interromper a síntese de RNA — processo de cópia de um trecho do DNA — em bactérias gram-negativas, incluindo a perigosa Pseudomonas aeruginosa (bacilo piociânico). Segundo a Skoltech, parceira da TV BRICS, a inovação acelera o desenvolvimento de novos medicamentos e ajuda a compreender com precisão como cada composto atua.
Atuar sobre a síntese de RNA é considerado um caminho muito promissor para novos medicamentos, já que há poucos fármacos desse tipo no mercado e as bactérias ainda não desenvolveram defesas contra eles.
O coordenador científico do estudo, Dmitri Lukianov, professor sênior do Centro de Biotecnologia e Tecnologias Médicas da Skoltech, explicou que conhecer o mecanismo de ação de uma substância é fundamental, pois permite estudar em detalhes seu funcionamento e modificá-la quimicamente.
O biólogo e primeiro autor do estudo, Anton Izzi, explicou como a pesquisa funciona na prática: os pesquisadores recebem de colegas uma lista de substâncias candidatas e as testam em bactérias. Quando elas morrem, o sistema ajuda a revelar por que isso aconteceu.
"Nosso sistema repórter decifra o mecanismo de ação. Se o antibiótico atua sobre os ribossomos [como a tetraciclina], o sistema mostra isso. Se atua sobre a síntese de DNA [como a novobiocina], também mostra. Agora esse conjunto foi ampliado, e o novo sistema consegue 'enxergar' a ação sobre a síntese de RNA [como no caso da rifampicina]", acrescentou.
A base do sistema é uma linhagem laboratorial da bactéria Escherichia coli. Ela contém um gene que se torna mais ativo justamente quando ocorrem falhas na síntese de RNA. A atividade desse gene é avaliada por meio de um teste de PCR.
O problema da resistência bacteriana a antibióticos surgiu do uso descontrolado desses medicamentos. A Pseudomonas aeruginosa, por exemplo, adaptou-se a várias classes de fármacos nos últimos 50 anos, e o Staphylococcus aureus também aprendeu a sobreviver em condições que antes o matavam.
Segundo os pesquisadores, sem o novo sistema, seria necessário, nas etapas iniciais, estudar a estrutura das moléculas, formular hipóteses sobre possíveis alvos e realizar testes adicionais, o que tornava o processo muito mais lento.
O estudo foi publicado em uma revista científica internacional.
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