Estudo permite proteger equipamento espacial em futuras missões
Pesquisadores dos institutos de Física e Tecnologia de Moscou e de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências desenvolveram um método para registrar e decifrar os sinais eletromagnéticos gerados durante tempestades de poeira, análogas àquelas que ocorrem na atmosfera de Marte.
Segundo o Ministério da Educação e Ciência da Rússia, essa pesquisa é essencial para garantir maior segurança em futuras missões, prevenindo danos causados pela eletricidade estática a equipamentos e trajes espaciais.
"Conseguimos confirmar na prática a hipótese de que as partículas de poeira marciana geram uma descarga elétrica que, ao se chocar, libera radiação eletromagnética, a qual varia conforme a carga e outras condições. Durante quase 30 anos, esse tipo de radiação existia apenas na teoria", explicou Abdelaal Mohamad Essam Sayed, um dos autores do estudo e doutor em Física e Matemática.
Na atmosfera seca e rarefeita de Marte, a fricção entre as partículas de areia gera eletricidade, criando faíscas microscópicas. Essas descargas invisíveis aos olhos humanos geram ondas eletromagnéticas que podem danificar os dispositivos eletrônicos de espaçonaves e trajes espaciais, além de afetar a composição química da atmosfera do planeta.
Para compreender melhor as propriedades dessas partículas e as condições que causam as descargas, os cientistas seguiram uma abordagem em três etapas. Na primeira, em uma câmara de laboratório com fluxo de ar turbulento, eles estudaram como diferentes partículas geram sinais de rádio únicos. Na segunda, o método foi testado em condições que se aproximam àquelas de Marte: em uma instalação a vácuo e com baixa pressão.
Na última, foram realizados testes de campo nas áridas estepes da região russa da Calmúquia. Nesse local, foram registradas descargas naturais em correntes de poeira, confirmando assim os resultados obtidos no laboratório.
A nova metodologia permite, pela primeira vez, comparar diretamente os dados obtidos em experimentos laboratoriais com aqueles registrados em ambientes naturais. Essas informações são fundamentais para o desenvolvimento de sistemas de proteção para futuras missões espaciais, tripuladas e não tripuladas, em planetas como Marte e Vênus, além de missões à Lua.
Fotografia: buradaki / iStock