Cientistas russos verificam validade de medicamentos sem abrir embalagens
Método utiliza um detector portátil e já despertou o interesse de grandes empresas farmacêuticas
Pesquisadores do Departamento de Química Farmacêutica e Toxicológica do Instituto de Medicina da Universidade Russa da Amizade dos Povos Patrice Lumumba (RUDN) desenvolveram um método para avaliar o estado de medicamentos que contêm nanopartículas. A técnica utiliza um dispositivo portátil capaz de captar, através da embalagem, alterações na radiação térmica emitida pelos produtos, informou a universidade, parceira da rede TV BRICS.
O método baseia-se em um princípio fundamental da física: qualquer substância com temperatura superior ao zero absoluto emite radiação eletromagnética térmica. Os pesquisadores constataram uma correlação direta entre a intensidade do sinal térmico e o grau de estabilidade do medicamento: à medida que os componentes se degradam, a emissão detectada diminui progressivamente.
"Todo medicamento tem prazo de validade, e isso não é uma mera formalidade. Um produto vencido pode não apenas perder sua eficácia, mas também se tornar perigoso. As moléculas se degradam e dão origem a compostos imprevisíveis", explicou Gleb Petrov, professor associado do Departamento de Química Farmacêutica e Toxicológica da RUDN.
Os experimentos foram conduzidos ao longo de vários anos. A equipe testou o método em diferentes ingredientes farmacêuticos biologicamente ativos, entre eles interferons, enzimas e vacinas à base de proteínas. Todas as medições foram realizadas sem comprometer a integridade das embalagens.
Durante o processo de desnaturação dos componentes biologicamente ativos, a intensidade do sinal térmico caiu cerca de dez vezes. Essa variação foi registrada com precisão pelo detector portátil.
De acordo com os pesquisadores, a tecnologia poderá ser usada tanto para identificar medicamentos vencidos quanto como ferramenta complementar na detecção de produtos farmacêuticos falsificados.
Segundo a RUDN, os equipamentos e a metodologia já foram adquiridos por grandes empresas farmacêuticas para uso em linhas de produção.
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