Inventora de Omã cria método para pessoas com deficiência visual aprenderem cores
Inovação educacional transforma cores em experiências associadas ao tato, ao olfato e à audição
A inventora omanense Azza Mohammed Al-Malki desenvolveu a inovação educacional "Cores Sensoriais", voltada a pessoas cegas e com baixa visão. A metodologia ajuda a reconhecer e compreender as cores por meio de outros sentidos, como o tato, o olfato e a audição. A informação foi divulgada pela Oman News Agency.
"A ideia surgiu da minha crença de que a criatividade é um direito de todos e de que a perda da visão não significa perder a capacidade de imaginar ou sentir as cores", afirmou Al-Malki.
Segundo a inventora, o objetivo foi transformar a cor de um conceito exclusivamente visual em uma experiência sensorial. A metodologia associa cores a texturas, cheiros, sons e elementos da natureza. Dessa forma, mesmo sem perceber uma cor visualmente, a pessoa pode construir uma imagem mental e emocional a partir de experiências conhecidas.
No projeto, Al-Malki utilizou materiais ecológicos e agradáveis ao toque, incluindo texturas naturais, pigmentos seguros e outros elementos capazes de representar cores por meio de sensações. Cada material foi escolhido para tornar a percepção das cores mais clara, confortável e intuitiva.
A abordagem contribui não apenas para a memorização das cores, mas também para sua representação simbólica. Quando uma cor é associada a um cheiro familiar, a uma textura ou a um som, o processo de aprendizagem se torna mais eficiente. O uso simultâneo de diferentes sentidos também favorece a assimilação de informações, pois o cérebro processa melhor dados ligados à emoção e à experiência sensorial.
A metodologia pode ser aplicada em escolas e centros de reabilitação. Além do ensino das cores, a inovação pode auxiliar no desenvolvimento de habilidades sensoriais, melhorar a comunicação e estimular a criatividade de crianças. O método também pode ser integrado a aulas escolares, oficinas de arte e programas de arteterapia, ajudando os participantes a se expressarem e a fortalecerem a confiança em suas próprias capacidades.
De acordo com Al-Malki, um dos principais desafios do projeto foi encontrar materiais que fossem, ao mesmo tempo, seguros, adequados ao uso educacional e capazes de oferecer experiências sensoriais claras. A metodologia também precisou ser adaptada a pessoas de diferentes idades e com distintos graus de deficiência visual.
A inventora destacou ainda a importância de ampliar a conscientização sobre a aprendizagem sensorial, já que iniciativas desse tipo ainda são pouco conhecidas e precisam de apoio social e institucional. Para ela, parcerias com escolas e centros de reabilitação podem contribuir para a adoção mais ampla da metodologia.
No futuro, Al-Malki pretende integrar as "Cores Sensoriais" a tecnologias de inteligência artificial e aplicativos inteligentes, criando novas experiências educacionais para pessoas com deficiência visual. A metodologia também pode ser usada em desenho em relevo, histórias sensoriais, exposições interativas, música, teatro e outras práticas criativas.
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