Escritora Salwa Bakr: sem literatura, não conseguimos alcançar entendimento
Escritores dos países do BRICS transmitem, por meio da literatura, as histórias de diferentes povos. A obra da autora egípcia Salwa Bakr foi destacada pelo júri do novo Prêmio de Literatura do BRICS, que a incluiu na lista dos finalistas. Em entrevista à "Za rubejom", ela compartilhou como conheceu a Rússia e o que distingue a literatura egípcia.
– Como iniciativas como essa podem contribuir para o entendimento entre os países do BRICS e ampliar o interesse pela literatura do Sul Global?
– É muito importante entender o contexto cultural dos países do BRICS, e a literatura é uma das maneiras mais importantes de conhecer a cultura de outros povos. Por exemplo, conheci a sociedade russa, suas fases e seu desenvolvimento por meio da leitura de Nikolai Gogol, Leo Tolstói, Mikhail Lermontov, Anton Tchekhov, Fiódor Dostoiévski, Anna Akhmatova, Maksim Gorki e todos os grandes escritores que nos apresentaram a Rússia e por meio dos quais pudemos sentir o espírito desse país. O mesmo se aplica aos escritores da América Latina, China, Índia e outros países do Sul Global. Sem a literatura, não conseguimos alcançar o entendimento.
– O que você consideraria o principal tesouro da literatura egípcia que gostaria de apresentar ao mundo?
– O Egito é um país antigo com uma civilização rica, que tem milhares de anos. Os escritores egípcios possuem um caráter cívico único, que se reflete em suas obras. Infelizmente, apenas uma pequena parte desse grande patrimônio literário foi traduzida para outros idiomas, e é justamente o intercâmbio cultural entre os países do BRICS que pode ser uma das razões pelas quais o mundo conhecerá essa literatura.
– O que você acha da ideia de criar, dentro do prêmio BRICS, uma agência literária única que ajude os autores a encontrar editores no exterior?
– É uma ótima ideia, que pode ser muito útil.
– O que é mais importante para você: o reconhecimento em seu país ou a visibilidade internacional que prêmios como este proporcionam?
– Para mim, o mais importante é ser conhecida no mundo árabe, mas, claro, o reconhecimento internacional também seria muito bom. Minhas obras já foram traduzidas para vários idiomas, e isso me deixa feliz. Além disso, os prêmios sempre ajudam a chamar a atenção para os autores e seus livros, e isso é maravilhoso.
Fotografia: morgan23 / iStock
DIGITAL WORLD
Centro de Mídia do BRICS+
RUSSO CONTEMPORÂNEO