Experiência do BRICS pode contribuir para agenda de desenvolvimento sustentável pós-2030
Diplomata russo fala sobre objetivos da ONU e cooperação da Rússia com parceiros do grupo
A Rússia e os países do BRICS podem contribuir para a construção de uma agenda conjunta de desenvolvimento sustentável após 2030. A declaração foi feita pelo diretor do Departamento de Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Kirill Logvinov, no programa "BRICSdiálogo", da TV BRICS.
Segundo o diplomata, a Rússia segue avançando na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS da ONU). Ele afirmou que a extrema pobreza foi eliminada no país, assim como a parcela da população em situação de insegurança alimentar. A mortalidade infantil entre crianças menores de cinco anos caiu 33,8% entre 2015 e 2023. Além disso, 100% da população tem acesso à eletricidade e 99,5% utiliza combustíveis e tecnologias limpas.
"Graças à experiência acumulada pela Rússia, pelos demais países do grupo e pelo BRICS como um todo, já podemos não apenas compartilhar conhecimentos, mas também contribuir para a formação de uma agenda conjunta. Após 2030, será necessário pensar nos próximos passos, e nossa experiência pode servir como catalisadora para desenvolver novas abordagens", afirmou Logvinov.
O diplomata também destacou o setor energético. Em 2024, durante a presidência russa do BRICS, os países do grupo definiram abordagens comuns para uma transição energética justa por meio da plataforma de pesquisas energéticas da organização.
Na prática, a Rússia compartilha tecnologias com parceiros do BRICS. Usinas hidrelétricas russas são projetadas e modernizadas na Índia, Indonésia e Etiópia. Tecnologias nucleares russas são utilizadas na China, Índia, Egito e Irã, enquanto novos projetos estão em planejamento na Etiópia e na Indonésia.
"É importante destacar que não se trata apenas de projetos isolados, mas de um trabalho sistemático baseado no entendimento de que a transição energética deve beneficiar as pessoas", afirmou.
O diplomata também citou programas russos voltados aos ODS. Entre eles estão o projeto nacional "Família", o reajuste do chamado "auxílio de capital maternal" (benefício estatal pago às famílias com filhos) e a prorrogação do financiamento imobiliário familiar. Para pessoas com deficiência, foi aprovada uma estratégia até 2030, com a meta de elevar a taxa de emprego desse grupo para 75%. Outro projeto, "Infraestrutura para a Vida", selecionou 2 mil localidades onde serão implementadas melhorias nas condições de vida.
O representante russo ressaltou ainda que a ONU funciona como uma plataforma de intercâmbio de experiências. A Rússia participa de conferências internacionais sobre financiamento ao desenvolvimento, incluindo o Consenso de Monterrey, a Declaração de Adis Abeba e o Compromisso de Sevilha. Segundo ele, os países do BRICS compartilham uma visão comum sobre a implementação dos ODS.